Pix internacional entra na agenda do Banco Central

Golpe do Pix | Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
BC estuda interligação do Pix com sistemas de outros países e uso do sistema como garantia em operações de crédito
O Banco Central (BC) trabalha em novas frentes para ampliar o alcance do Pix, incluindo a criação de um modelo de Pix internacional e o uso do sistema como garantia em operações de crédito. As iniciativas integram a agenda futura da autoridade monetária e constam na segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, divulgada na segunda-feira (10/8). O documento apresenta um balanço da evolução do sistema de pagamentos instantâneos entre 2023 e 2025 e aponta os próximos passos do BC para expandir as funcionalidades do Pix, que completa cinco anos como uma das principais infraestruturas digitais do Brasil.
Entre as prioridades está a chamada inserção internacional do Pix, que busca viabilizar transações mais simples entre países. Atualmente, operações envolvendo o exterior dependem de arranjos indiretos, com conversões e liquidações fora da infraestrutura do sistema brasileiro. A proposta em estudo pelo BC é avançar para um modelo mais integrado, que reduza custos e aumente a eficiência dessas transações. "O BC avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições. Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos", afirma o texto do relatório. Outra frente em análise é o uso do Pix como garantia em operações de crédito. A ideia é permitir que recebíveis futuros, especialmente de empresas que utilizam o sistema como principal meio de pagamento, possam ser empregados para viabilizar financiamentos, ampliando o acesso ao crédito e reduzindo custos.
O relatório também aponta preocupações com o uso indevido de campos de mensagens nas transações Pix, que vêm sendo explorados em golpes e fraudes. Segundo a autoridade monetária, o tema está em discussão no âmbito da agenda de segurança do sistema, que segue como um dos pilares centrais do arranjo. Entre as medidas adotadas estão o bloqueio cautelar de valores suspeitos, a restrição a usuários identificados como fraudadores e o aprimoramento do compartilhamento de informações entre instituições. O BC também reforçou o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que facilita a contestação de transações suspeitas diretamente pelo aplicativo das instituições financeiras.
O documento destaca que o Pix se consolidou como uma infraestrutura pública digital essencial para o funcionamento da economia brasileira, com papel semelhante ao do dinheiro em espécie, porém com maior eficiência e rastreabilidade. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, com movimentação superior a R$ 35 trilhões. O sistema foi utilizado por 148 milhões de pessoas físicas e mais de 12 milhões de empresas ao longo do ano, o equivalente a cerca de 86% da população adulta do país. Atualmente, o Pix soma mais de 920 milhões de chaves cadastradas, vinculadas a mais de 162 milhões de pessoas e a mais de 16 milhões de empresas. A expansão reflete não apenas a popularização do sistema, mas também a ampliação de seus casos de uso. Nos últimos anos, o BC avançou em funcionalidades que aproximam o Pix de outros meios de pagamento tradicionais. Entre os destaques estão o Pix Automático, que permite pagamentos recorrentes com autorização única do usuário, o Pix por aproximação e as transferências inteligentes integradas ao Open Finance.
O Pix Automático, lançado no ano passado, viabiliza o pagamento automático de contas de consumo e assinaturas sem a necessidade de autorização a cada transação. Para os próximos anos, o BC também prevê a padronização de cobranças híbridas, que permitirão o pagamento via boleto ou Pix, o avanço do Pix por aproximação mesmo sem conexão com a internet e maior integração com outros serviços financeiros. "O objetivo do aprimoramento evolutivo é ampliar os casos de uso atendidos pelo Pix e alavancar ainda mais o seu uso, uma vez que o Pix foi criado para permitir ampla diversidade de casos de uso. O futuro do Pix está ancorado na consolidação de uma Infraestrutura Pública Digital que sirva como base para o desenvolvimento de diversidade de modelos de negócio", destaca o relatório. Segundo o BC, a estratégia busca manter o Pix competitivo, seguro e alinhado às transformações do sistema financeiro, ampliando seu papel como principal meio de pagamento no país.