Diarista é presa por furto de R$ 1,6 mil em Patos de Minas

Foto: JusBrasil/Reprodução
Patrão anotou números de série das cédulas após suspeitar de furtos e conseguiu flagrar diarista de 47 anos em Patos de Minas
Uma diarista de 47 anos foi presa em flagrante por furtar dinheiro do apartamento onde trabalhava, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Segundo a Polícia Militar (PM), a mulher confessou ter levado cerca de R$ 1,6 mil do patrão desde que começou a trabalhar no local. A descoberta do crime só foi possível graças a uma estratégia incomum adotada pelo morador: anotar os números de série das cédulas deixadas em casa. A desconfiança do patrão teve início cerca de uma semana antes da prisão, quando ele percebeu que R$ 1,1 mil haviam desaparecido após uma faxina. A partir desse momento, antes de guardar o dinheiro novamente no mesmo local, ele passou a registrar os números de série das notas. A medida se mostrou decisiva para comprovar os furtos.
No dia 21 de julho, data da prisão, o morador voltou para casa no horário do almoço e constatou que outros R$ 650 haviam sumido. Ao fim da faxina, ele confrontou a diarista sobre o desaparecimento do dinheiro. Inicialmente, a mulher negou qualquer envolvimento, mas acabou entregando R$ 600 que estavam em sua bolsa. Ao conferir as cédulas, o morador verificou que os números de série coincidiam com os que havia anotado. Com a chegada dos policiais, a diarista entregou ainda uma nota de R$ 50, que também foi reconhecida pelo morador como parte do dinheiro furtado. A suspeita foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil e, em seguida, ao sistema prisional. O dinheiro recuperado também foi entregue à autoridade policial. O caso será investigado pela Polícia Civil, e a diarista deverá responder por furto qualificado por abuso de confiança. Segundo a PM, não cabe fiança durante a prisão em flagrante nesse tipo de caso. O furto qualificado é uma modalidade mais grave de furto, aplicada quando há circunstâncias que aumentam a gravidade da conduta, como abuso de confiança, rompimento de obstáculo, uso de fraude, emprego de chave falsa ou participação de duas ou mais pessoas.
Especialistas consultados avaliaram a estratégia adotada pelo morador de Patos de Minas sob a ótica jurídica. A advogada criminalista Juliana de Paula Lima Gontijo explicou que a anotação dos números de série das cédulas pode ser usada como prova porque "caracteriza um flagrante esperado quando a vítima apenas cria meios para identificar o autor de um crime que já suspeitava estar acontecendo, e não um flagrante preparado, que ocorre quando há indução à prática do crime". O advogado criminalista Schumacker Andrade concorda com essa avaliação e afirma que a medida ajuda a comprovar a origem do dinheiro encontrado com a investigada. No entanto, ele ressalta que, sozinha, ela "não seja suficiente para uma condenação, devendo ser acompanhada de outras provas produzidas durante a investigação". O caso de Patos de Minas evidencia como uma atitude simples pode ser determinante para a identificação de um crime. A diarista permanece presa enquanto as investigações da Polícia Civil prosseguem.