Nikolas Ferreira faz vídeo questionando vacinas de Covid

Fonte: Pablo Valadares/ Agência Brasil.
Deputado compartilha alegações sobre diários de Fauci e questiona vacinas e medidas sanitárias da pandemia de Covid-19
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo nas redes sociais no domingo (2/8) em que repercute a audiência do médico Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos e volta a questionar vacinas e outras medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19. Na gravação, o parlamentar compartilha alegações de que documentos pessoais atribuídos ao ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) contradizem posições públicas defendidas por Fauci durante a crise sanitária. A polêmica ganhou repercussão após Fauci prestar depoimento, na última quarta-feira (29/7), ao Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado norte-americano.
Na ocasião, ele invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos e optou por não responder às perguntas dos senadores. Vale destacar que o dispositivo constitucional utilizado pelo médico garante o direito de uma pessoa de não produzir provas contra si, mas não representa admissão de culpa. Junto ao silêncio de Fauci, um suposto diário pessoal seu foi exposto por parlamentares durante a sessão no Senado. Esses documentos têm servido de base para uma série de ataques contra o médico e os procedimentos adotados por ele durante a pandemia de Covid-19.
Para Nikolas Ferreira, o episódio representa uma reviravolta na discussão sobre a pandemia. "Tudo isso começou por conta do Senado ter tido acesso aos seus diários e documentos pessoais que mostravam uma nítida diferença entre aquilo que ele conversava de forma privada e as suas decisões públicas quanto à pandemia", afirmou o deputado. No vídeo, Nikolas Ferreira também reproduz uma declaração do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., segundo a qual Fauci teria "mentido sobre tudo", incluindo vacinação, imunidade, máscaras e distanciamento social. Em outro trecho da gravação, o parlamentar alega que os documentos revelam que Fauci teria sofrido um problema pulmonar após receber uma vacina contra a Covid-19 e ocultado a informação. "Eles descobriram pela primeira vez que, depois do Fauci ter tomado a vacina, ele teve um efeito colateral pulmonar e escondeu de todo mundo", alegou.
Até o momento, porém, não há comprovação pública de que um eventual problema de saúde de Fauci tenha sido causado pela vacinação. Na sequência, Nikolas Ferreira voltou a defender o uso da hidroxicloroquina durante a pandemia, afirmando que o medicamento "poderia ter salvado milhões de pessoas". "Com aquilo que foi descoberto nos diários do Fauci, mostrou que ele achava a hidroxicloroquina segura e pretendia disponibilizá-la. Mas depois que o Trump endossou o medicamento e a mídia explodiu, o Fauci volta atrás", disse o deputado.
A afirmação contraria as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que desaconselhou o uso da hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19 com base em dezenas de estudos clínicos envolvendo mais de 10 mil pacientes, sem demonstração de redução da mortalidade ou benefício clínico relevante. Outro ponto abordado por Nikolas Ferreira foi um questionamento feito durante a audiência sobre o uso de tecidos fetais em pesquisas relacionadas às vacinas. "Ele se calou. (…) Será que de fato foi usado partes de bebês para poder fazer pesquisa de vacina da Covid?", questionou o parlamentar. No entanto, segundo relatórios dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, as vacinas contra a Covid-19 não contêm tecidos fetais.
Na parte final do vídeo, Nikolas Ferreira cita o relatório final da comissão da Câmara dos Representantes que investigou a resposta dos Estados Unidos à pandemia. Segundo ele, o documento comprovaria críticas às medidas sanitárias adotadas durante a crise. "Literalmente tem um relatório final do Congresso americano mostrando: distanciamento, não havia suporte científico quantitativo; máscaras eram ineficazes para controlar a transmissão; lockdowns geraram mais prejuízo do que proteção; miocardite, especialmente em homens jovens, é um efeito colateral reconhecido", declarou o deputado. Apesar das afirmações, o mesmo relatório citado por Nikolas Ferreira conclui que a Operação Warp Speed, programa criado no primeiro governo Donald Trump para acelerar o desenvolvimento de vacinas, foi um sucesso e que os imunizantes "indiscutivelmente salvaram milhões de vidas" ao reduzir casos graves e mortes por Covid-19.