Netanyahu repassa a Trump preocupações sobre plano para Gaza

Donald Trump e Benjamin Netanyahu em encontro na Casa Branca — Foto: ALEX WONG / Getty Images
Israel afirma que o plano divulgado por Trump para Gaza "não reflete as posições" do país e exige desmilitarização real do Hamas
Israel afirmou nesta segunda-feira (3) que transmitiu suas preocupações aos Estados Unidos sobre o plano para Gaza promovido pelo presidente americano, Donald Trump, enquanto continuava com os bombardeios no território palestino. O anúncio ocorre após o Hamas declarar que aceitou o desarmamento, conforme previsto na proposta americana. A situação representa mais um sinal de distanciamento entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que enfrenta uma disputa acirrada pela reeleição em outubro e busca reforçar sua relação com o presidente americano.
O gabinete de Netanyahu exigiu um desarmamento mais concreto por parte do Hamas, que na sexta-feira anunciou que entregaria as armas de acordo com o plano de Trump para encerrar a guerra. O plano também prevê a retirada gradual do Exército israelense de Gaza. "Israel transmitiu suas observações e preocupações sobre o plano proposto às nossas contrapartes americanas. A versão que foi tornada pública não reflete as posições de Israel", declarou Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, em resposta à AFP. Spielman afirmou ainda que os serviços de inteligência israelenses detectaram que o Hamas está se rearmando e recrutando desde o cessar-fogo anunciado por Trump em outubro de 2025.
O acordo de trégua resultou em uma redução na intensidade dos combates, mas Israel manteve os ataques, alegando que os alvos são combatentes do Hamas ou suas infraestruturas — afirmação que fontes em Gaza contestam de forma reiterada. Uma fonte em Gaza afirmou à AFP que 19 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde domingo em "mais de 10 ataques efetuados por aviões de combate israelenses". Desde a assinatura da trégua, mais de 1.200 palestinos morreram na Faixa de Gaza, segundo as autoridades locais. O Exército israelense, por sua vez, afirma ter perdido cinco soldados em Gaza no mesmo período, além de um civil.
Trump chamou seu plano para Gaza de "marco importante" nos esforços para encerrar a guerra devastadora desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Ele também afirmou à imprensa que Israel estava "muito satisfeito" com os avanços. No entanto, o porta-voz de Netanyahu rebateu a avaliação ao afirmar que as ações do Hamas demonstram que o grupo se preparava para "novos massacres do tipo de 7 de outubro". Spielman destacou que o plano divulgado pelo "Conselho de Paz" de Trump previa que Gaza se tornasse "uma zona desmilitarizada, desradicalizada, livre do terrorismo e que não representasse nenhuma ameaça para seus vizinhos". "Esta visão entra em contradição direta com a realidade atual e com as intenções declaradas do Hamas.
O primeiro passo indispensável para qualquer acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e irreversível do Hamas", declarou o porta-voz. "Qualquer medida que não conduza a uma desmilitarização completa deixaria o Hamas em condições de voltar a ameaçar Israel", acrescentou. Uma fonte política israelense declarou no fim de semana que Israel, que ainda controla a maior parte da Faixa de Gaza, não retiraria suas forças no âmbito do plano sem verificar o desarmamento do movimento islamista palestino. A posição reforça o impasse entre as visões de Tel Aviv e Washington sobre os próximos passos no conflito.