Enchentes deixam 270 mortos e mais de 1.300 desaparecidos no Nepal e na China

Inundação repentina e mar de lama na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete (China) - Reprodução/X
Inundações e avalanche no Nepal e na China deixam 270 mortos e mais de 1.300 desaparecidos, incluindo centenas de estrangeiros
Pelo menos 270 pessoas morreram e mais de 1.300 estão desaparecidas após inundações repentinas e uma avalanche devastadora atingirem o Nepal e a China. Entre os desaparecidos, mais de 700 são estrangeiros que visitavam as regiões montanhosas afetadas.
Nesta quinta-feira (27), as equipes de resgate intensificam os esforços nas áreas mais atingidas, onde a infraestrutura foi destruída e o acesso permanece extremamente difícil. Uma avalanche catastrófica avançou por um vale inteiro, destruindo estruturas essenciais e comprometendo as operações de resgate e a avaliação da real dimensão do desastre.
Famílias aguardam desesperadamente por notícias de parentes, com quem não conseguem contato há mais de 24 horas.
Segundo as autoridades nepalesas, o número de desaparecidos no Nepal chegou a 826, sendo 517 deles estrangeiros. No lado chinês, pelo menos 558 pessoas seguem desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros, conforme informaram autoridades locais. Com isso, o total de desaparecidos entre os dois países chega a pelo menos 1.384 pessoas.
Equipes de emergência chinesas já chegaram à principal zona do desastre, localizada ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete, onde enfrentam grandes bloqueios nas estradas causados por lama e escombros. No Nepal, helicópteros de resgate têm dificuldade para pousar nas áreas afetadas devido ao nível elevado das águas.
A União Europeia e a Índia estão entre os que anunciaram planos para enviar ajuda humanitária à região.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o colapso de uma geleira provocou a inundação repentina no distrito de Rasuwa, no Nepal. Cientistas explicaram que um enorme bloco de gelo despencou no vale, arrastando sedimentos já saturados de água pela atual temporada de monções. "Não houve terremoto", confirmou o USGS, descartando a teoria inicial que circulava sobre a origem do desastre.
A China emitiu alerta para um possível desastre secundário, com previsão de novas chuvas para o condado de Gyirong ainda nesta semana. A região já é conhecida por ser propensa a deslizamentos de terra, fluxos de lama e inundações repentinas, segundo a emissora estatal CCTV.
O Dalai Lama ofereceu suas orações nesta quinta-feira (27) pelas vítimas do desastre e apontou as mudanças climáticas como uma possível causa adicional das inundações devastadoras.