Nepal registra 19 mortos em enxurradas; 384 turistas estão desaparecidos

Foto: Reprodução
Fortes enxurradas no Nepal deixam 19 mortos e 384 turistas desaparecidos; Tibete também registra vítimas após corrente de lama
Fortes enxurradas de lama e água deixaram ao menos 19 mortos no Nepal nesta quarta-feira (26), enquanto 384 turistas seguem desaparecidos nas áreas atingidas. Do outro lado da fronteira, no Tibete, a China também registra "inúmeras vítimas", conforme informou a mídia estatal do país. Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostram a enxurrada avançando por rios e arrastando casas inteiras. Registros fotográficos da AFP revelam apenas o último andar de uma residência emergindo de um solo coberto de lama, além de veículos completamente submersos. "Vi a água levar oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas", relatou Suman Chalise, professor de 34 anos, morador de Nuwakot. "Foi absolutamente devastador. Vi caminhões sendo arrastados pela correnteza. Nunca tinha testemunhado nada dessa magnitude."
A polícia informou ter localizado 19 corpos até o momento. Segundo o porta-voz Abi Narayan Kafle, vários agentes que atuavam na região também continuam desaparecidos. Um levantamento inicial realizado por empresas de turismo e agências de viagem identificou 384 turistas desaparecidos nas áreas afetadas, sendo 291 estrangeiros e 93 nepaleses. O Escritório Nacional de Turismo do Nepal trabalha para confirmar o paradeiro de todos os viajantes. A polícia também compartilhou nas redes sociais imagens de uma onda gigantesca descendo por um vale do Himalaia, em um distrito fronteiriço com a China. A enxurrada atingiu Syabrubesi, ponto de partida da famosa trilha do Langtang, e outras regiões frequentadas por turistas que realizam a peregrinação hindu ao Kailash Mansarovar. O Exército do Nepal enviou equipes e helicópteros ao local e informou que um "trabalho de avaliação dos danos estava em andamento".
A Autoridade de Gestão de Eletricidade registrou danos em diversas instalações, incluindo barragens e usinas solares, além de cortes de energia em várias localidades. O primeiro-ministro Balendra Shah anunciou nas redes sociais a convocação de uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Crises. "O trabalho já começou para coordenar as medidas necessárias com equipes médicas, de busca e com a Cruz Vermelha", afirmou no X. No lado chinês da fronteira, uma corrente de lama provocou vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong, no Tibete, segundo a agência estatal Xinhua. Situado no Himalaia, Gyirong é um dos principais pontos de passagem terrestre entre China e Nepal.
Imagens da TV estatal chinesa CCTV mostram águas turbulentas carregando galhos e detritos, além de uma estrada completamente inundada. As autoridades chinesas ainda não divulgaram um balanço oficial de vítimas. "A prioridade absoluta é mobilizar todos os recursos para buscar e resgatar os desaparecidos, evacuar e realocar moradores em risco, atender rapidamente os feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas", declarou o presidente Xi Jinping, citado pela Xinhua. Inundações e deslizamentos são recorrentes durante a monção de verão, período de chuvas intensas que se estende de junho a setembro no Nepal e em toda a Ásia do Sul. Em julho de 2025, 17 pessoas já haviam desaparecido após um deslizamento próximo a Gyirong, segundo a agência chinesa. Cientistas alertam que o aquecimento global tem aumentado a intensidade e a frequência desses eventos na região.