Advogado Nelson Wilians é alvo da PF por lavagem de dinheiro

Polícia Federal (PF)
Advogado Nelson Wilians e a PixBet são investigados por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal ligadas a apostas esportivas
O advogado Nelson Wilians, já investigado por suposta participação em um esquema bilionário de descontos ilícitos em aposentadorias e pensões do INSS e em uma fraude de R$ 3,8 bilhões envolvendo créditos falsos de ICMS, voltou a ser alvo de buscas da Polícia Federal nesta quinta-feira, 13. Desta vez, a investigação mira uma terceira frente de suspeitas: a ocultação da origem e da destinação de recursos obtidos com a exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A operação, batizada de Arena, também tem como alvo a PixBet, casa de apostas controlada pelo empresário Ernildo Junior e apontada como próxima a integrantes do Centrão em Brasília, conforme revelou o Estadão em 2025. A empresa já estava sob investigação na Paraíba por suspeita de lavagem de dinheiro e havia aparecido na CPI do INSS em meio a suspeitas de vínculos com envolvidos no esquema de descontos ilegais em aposentadorias.
Nelson Wilians mantém vínculos profissionais e empresariais com o grupo ligado à PixBet. O advogado atua para a casa de apostas e para seu controlador, Ernildo Junior. Wilians também foi sócio de Fernando Cavalcanti, investigado no esquema de descontos ilegais do INSS. Cavalcanti, por sua vez, comandou uma fintech em parceria com Ernildo, o XBank Digital, que também contou com Wilians como sócio. A defesa de Nelson Wilians informou que "a relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia" e que "a atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas".
A reportagem também pediu manifestação da PixBet, cujo espaço segue aberto. Ao todo, a Polícia Federal cumpre 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4.ª Vara Federal da Paraíba, além de medidas de quebra de sigilo telemático e bancário e sequestro de até R$ 1,1 bilhão. As ações ocorrem nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A casa de Nelson Wilians, no Jardim Europa, região nobre da zona oeste da capital paulista, foi um dos alvos das buscas desta quinta-feira. Há menos de um mês, em 15 de julho, o advogado já havia tido a residência vasculhada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP), no âmbito das investigações sobre créditos falsos de ICMS. Ele também foi alvo de buscas em setembro de 2025, durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
Segundo a força-tarefa da Operação Arena, os investigadores identificaram indícios de que uma "complexa estrutura societária e financeira", mantida no Brasil e no exterior, era utilizada para registrar operações de apostas de quota fixa e jogos de azar como se fossem realizadas fora do país. A investigação aponta que, apesar dessa estrutura, a operação, a gestão administrativa e as decisões sobre os negócios ocorriam em território brasileiro. A apuração também revela que empresas abertas no exterior eram usadas para justificar transferências de grandes valores para fora do país, sem apresentar atividades econômicas capazes de explicar os montantes movimentados.
Para dificultar o rastreamento do dinheiro, o grupo integrado por Nelson Wilians teria supostamente criado uma rede envolvendo instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e dezenas de offshores, com o objetivo de esconder a origem e o destino dos recursos. Além da suspeita de evasão de divisas, a investigação identificou indícios de sonegação fiscal relacionados às bets ilegais. Segundo os investigadores, o grupo teria utilizado estruturas empresariais para ocultar rendimentos e, assim, reduzir ou deixar de pagar os impostos devidos sobre os valores obtidos com a exploração de jogos de azar.
A Receita Federal, que integra a força-tarefa da Operação Arena, destacou que "embora a exploração de apostas de quota fixa tenha passado por recente processo de regulamentação no Brasil, os elementos reunidos indicam que atividades relacionadas ao setor já vinham sendo exercidas anteriormente, com indícios de utilização de mecanismos destinados a ocultar operações, receitas e beneficiários finais". Em nota completa, a defesa de Nelson Wilians reforçou que "o escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes" e alertou que "é preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa".