Maioria dos argentinos desaprova postura de Milei contra Lula

Fonte: Wikimedia/Vreative Commons
Pesquisa da consultoria Zuban Córdoba mostra que 70,5% dos argentinos desaprovam os ataques de Milei a Lula e ao Brasil
Pelo menos 70% dos argentinos desaprovam o comportamento do presidente Javier Milei em relação ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados foram divulgados pela consultoria argentina Zuban Córdoba, após uma série de declarações polêmicas feitas pelo líder argentino durante sua visita ao Brasil, no final de julho.
As ofensas de Milei ocorreram durante a convenção do Partido Liberal em São Paulo, em 25 de julho, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Na ocasião, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca" e Lula de "presidiário".
As declarações provocaram uma crise diplomática, levando o Itamaraty a convocar o embaixador em Buenos Aires e a rebaixar as relações entre os dois países.
Resultados da pesquisa Zuban Córdoba
O levantamento, realizado entre os dias 8 e 10 de agosto com 1.200 pessoas maiores de 16 anos na Argentina, de forma on-line, revelou os seguintes dados sobre a conduta de Milei:
70,5% dos entrevistados afirmaram desaprovar o comportamento do presidente argentino em relação a Lula;
Outros 20% disseram aprovar as ofensas proferidas por Milei;
9,5% não souberam responder.
A pesquisa também questionou os entrevistados sobre a importância do Brasil e da economia brasileira para a Argentina, obtendo os seguintes resultados:
88,9% dos entrevistados responderam considerar "importante" essa relação econômica;
10,5% apontaram acreditar que a relação é "desimportante";
0,6% disseram não saber responder.
A margem de erro da pesquisa é de 2,83% para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Tensão entre Brasília e Buenos Aires
A crise diplomática entre os dois países se intensificou nas últimas semanas, marcada por uma série de declarações e ações de ambos os lados. As embaixadas dos dois países operam atualmente sem chefes de missão plenos.
Confira os principais acontecimentos da escalada de tensão:
Em 25 de julho, Milei chamou Lula de "presidiário" durante a convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na mesma ocasião, o argentino também classificou o ministro do STF Alexandre de Moraes como um "lixo careca".
No dia seguinte, em entrevista a uma rádio argentina, Milei acusou o Brasil de liderar "uma campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo, além de afirmar que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar a oposição.
Em 2 de agosto, durante entrevista à emissora argentina LN+, Milei afirmou que Lula é "ladrão", "corrupto" e "não é inocente", voltando a questionar as decisões do STF que anularam as condenações do petista na Lava Jato.
Em 4 de agosto, o governo brasileiro decidiu rebaixar a relação diplomática com a Argentina e não enviar o embaixador Julio Glinternick Bitelli de volta a Buenos Aires. O embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, deixou o país no domingo seguinte.
Em 8 de agosto, Milei republicou nas redes sociais uma postagem com críticas a Lula, contendo um texto do deputado republicano norte-americano Carlos Gimenez, que afirmou no Congresso dos Estados Unidos que "denunciamos o corrupto e criminoso Lula da Silva, que destruiu o Brasil".
A crise diplomática entre Brasil e Argentina segue sem sinais de resolução imediata, com as relações entre os dois países operando em seu nível mais baixo em anos.
A pesquisa Zuban Córdoba evidencia que, apesar do tom agressivo adotado por Milei, a maioria dos argentinos não aprova a postura do presidente em relação ao seu principal parceiro comercial na região.