Meta enfrenta julgamento nos EUA por supostos danos à saúde mental de jovens

Mark Zuckerberg, CEO da Meta - Foto: Reprodução/Facebook
Coalizão de 29 estados americanos acusa a Meta de viciar crianças e adolescentes; multas podem chegar a US$ 1,4 trilhão
Começou nos Estados Unidos o primeiro grande julgamento federal contra a Meta, empresa dona do WhatsApp, Instagram e Facebook, por supostos danos à saúde mental de crianças e adolescentes.
O processo reúne uma coalizão de 29 estados americanos, que acusam as plataformas de serem perigosas para o público jovem.
Na primeira audiência, realizada na terça-feira (18), representantes de quatro estados — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — apresentaram suas acusações.
Segundo eles, a Meta projetou suas plataformas para viciar crianças e adolescentes da mesma forma que o cigarro, gerando uma crise de saúde mental entre os jovens.
Os estados sustentam ainda que a empresa trata crianças como produtos, com o objetivo deliberado de torná-las dependentes de suas redes sociais.
Além das acusações sobre o design viciante das plataformas, os procuradores estaduais apontaram que a Meta coletou dados pessoais de menores de 13 anos sem notificar os responsáveis, violando leis federais e estaduais de privacidade infantil e de defesa do consumidor.
Os estados argumentaram ainda que a empresa raramente utiliza os próprios recursos de segurança que criou.
As multas em jogo podem chegar a US$ 1,4 trilhão — valor próximo ao da capitalização de mercado da Meta na bolsa de valores de Nova York.
Mesmo que a penalidade não alcance esse montante, uma eventual derrota da Meta na Justiça poderia obrigar a empresa a reformular o funcionamento de suas redes sociais para o público jovem.
Entre as mudanças exigidas pelos estados estão o fim das curtidas ou "likes" nas postagens, a eliminação dos "stories" — fotos e vídeos disponíveis por apenas 24 horas — e o fim do chamado "feed infinito", que permite ao usuário rolar postagens indefinidamente.
Os estados também pedem a proibição de filtros que alteram a aparência do rosto dos usuários, recursos apontados como contribuintes para problemas de imagem corporal e saúde mental.
A Meta, por sua vez, afirmou que as reivindicações não têm fundamento e que os estados não apresentaram provas de que os usuários foram enganados.
A empresa defendeu que garante a segurança dos jovens em suas plataformas e pediu que os processos sejam divididos em julgamentos menores, argumentando que as leis estaduais envolvidas são distintas entre si.
Um júri na Califórnia será responsável por ouvir os dois lados e aconselhar o juiz sobre o veredito.
O julgamento deve se estender por seis semanas, e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, está entre as testemunhas convocadas a depor no tribunal.