UE cobra cooperação do Marrocos após crise em Ceuta

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Comissário europeu Magnus Brunner defende uso de vistos e comércio para garantir cooperação de Marrocos após crise em Ceuta
A União Europeia deve utilizar toda a sua influência disponível, incluindo políticas de vistos e comércio, para garantir a cooperação de Marrocos em questões de imigração. A declaração foi feita pelo comissário europeu para a Imigração, Magnus Brunner, durante uma reunião da comissão do Parlamento Europeu, na última quinta-feira. O contexto que motivou a declaração foi a entrada de cerca de 72 mil migrantes no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, na semana passada, segundo as autoridades espanholas.
O episódio é considerado um dos maiores movimentos migratórios para o território da UE nos últimos anos. "Uma lição muito importante que Ceuta nos traz é que, para ter controle, precisamos cooperar com nossos vizinhos, é claro, mas enquanto o controle depender da boa vontade de um único Estado vizinho, continuaremos... vulneráveis", afirmou Brunner durante a reunião. A UE tem recorrido cada vez mais a acordos com países do Norte da África para conter a imigração irregular, oferecendo apoio financeiro e outros incentivos em troca de controles de fronteira mais rígidos e cooperação em matéria de repatriação.
No entanto, críticos alertam que essa estratégia deixa o bloco exposto à pressão de países de trânsito, que podem flexibilizar — ou ameaçar flexibilizar — os controles migratórios em busca de concessões políticas ou econômicas. Brunner reforçou que a UE precisa fortalecer a cooperação com países terceiros em matéria de repatriação e readmissão, utilizando todas as ferramentas disponíveis para garantir parcerias eficazes com Marrocos e demais nações vizinhas. O prefeito do enclave de Ceuta, Juan Jesús Vivas, informou aos parlamentares europeus que cerca de 100 pessoas morreram durante a travessia em massa da fronteira e que entre 3.000 e 5.000 imigrantes ainda permaneciam no território.
Vivas foi enfático ao avaliar a relação com Marrocos: "Reitero isso hoje, depois de ter visto o que vi: Marrocos não é um país confiável", declarou, acrescentando que a responsabilidade pela única fronteira terrestre da Europa com a África precisa ser supervisionada pela Europa, e não por Marrocos. A crise em Ceuta reacende o debate sobre a dependência da UE em relação a acordos bilaterais com países do Norte da África para o controle migratório, e sobre os riscos de uma política que pode ser influenciada pela postura de um único Estado vizinho.