MG lança app para proteger mulheres vítimas de violência e monitorar agressores

Governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) - Foto: Instagram @mateus.simoesmg
Ferramenta no MG App centralizará atendimentos e criará cercamento digital para alertar mulheres sobre a aproximação de agressores
O governo de Minas Gerais anunciou o lançamento, para o próximo mês, de uma ferramenta dentro do MG App — aplicativo oficial do estado — que vai centralizar serviços destinados a mulheres vítimas de violência.
Batizada de "Maria Mineira", a plataforma também prevê, até dezembro, o desenvolvimento de um mecanismo de cercamento digital que permitirá às mulheres identificar a aproximação de seus agressores.
Os projetos foram apresentados na manhã desta sexta-feira (28/8), durante agenda institucional do governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD). A iniciativa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Em um primeiro momento, 176 locais de atendimento a vítimas de violência foram mapeados e estarão disponíveis no MG App. Segundo o governador, até o final de setembro, o serviço deve ser expandido para todos os 853 municípios do estado.
"A mulher que foi vítima de violência vai conseguir, com base no Maria Mineira, identificar qual é o serviço que ela deve procurar, onde está o serviço mais próximo dela, qual tipo de atendimento ela vai encontrar em cada lugar", explica Simões.
O desdobramento previsto para dezembro vai além da centralização de serviços. Por meio do aplicativo, as mulheres também poderão acompanhar possíveis aproximações de seus agressores em tempo real.
Simões detalhou o funcionamento do mecanismo: "O cercamento que acontece hoje é de áreas em que o sujeito que está sob medida restritiva da Maria da Penha não pode frequentar, em um distanciamento que ele tem que ter da mulher. Mas a mulher só fica sabendo que ele está se aproximando na hora que ela vê o sujeito.
"Você pensa no botão do pânico, mas ela já viu o agressor e, muitas vezes, a polícia não consegue chegar a tempo de socorrê-la. Nós estamos criando um mecanismo de cercamento para que ela, com base num aplicativo, possa ser informada, e a polícia também seja informada, se ele se aproximar dela, mesmo que ela não esteja vendo."
Além de oferecer proteção, os projetos têm como objetivo quebrar o estigma em torno da busca por atendimento.
O governador destacou que 85% das mulheres vítimas de feminicídio em Minas Gerais não foram beneficiadas por medidas protetivas.
"É claro que no mundo ideal a gente espera estar criando uma geração, tanto de meninos quanto de meninas, que no futuro não passem por essa normalização da violência contra a mulher", afirmou Simões.
"Mas enquanto a gente não chega nesse ponto, a gente tem que naturalizar para ela a busca de ajuda. É por isso que o Maria Mineira é exatamente para tentar melhorar e facilitar essa busca por ajuda."
Outros projetos em discussão
A reunião, que contou com representantes da Polícia Civil e das secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Social, também abordou outras duas iniciativas relacionadas ao tema.
A primeira envolve um sistema voltado à inserção de vítimas de violência doméstica no mercado de trabalho. A proposta ainda depende de contratação, mas a ideia é utilizar o banco de dados da Sedese para identificar vagas de emprego para essas mulheres.
A segunda iniciativa prevê o uso de inteligência artificial para complementar o trabalho das delegacias da Polícia Civil nas investigações de violência doméstica.
Simões ressaltou a importância da ferramenta para municípios sem delegacias especializadas: "Onde a gente tem delegacias especializadas talvez essa inteligência seja menos inovadora, mas nós temos só 70 delegacias de mulheres no estado.
"Nós temos 853 municípios, então, para todos aqueles municípios que não têm delegacias especializadas, isso vai ser um incremento muito positivo, porque é como se eu tivesse à disposição do investigador toda capacidade investigativa especializada daqueles que trabalham com violência contra a mulher."
Com o conjunto dessas iniciativas, o governo de Minas Gerais busca ampliar a rede de proteção às mulheres vítimas de violência, combinando tecnologia, acesso a serviços e suporte à reinserção profissional.