Traficante Mancha tem prisão prorrogada por 30 dias

Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como Mancha, durante audiência de custódia - Foto: Reprodução
Traficante Mancha passa por audiência nesta segunda; juiz prorrogou prisão temporária após pedido da Polícia Civil de Minas Gerais
A Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como "Mancha", apontado pelas autoridades como um dos maiores traficantes de Minas Gerais e do país. A decisão foi assinada na sexta-feira (31/7) pelo juiz Roberto Oliveira Araújo Silva. Nesta segunda-feira (3/8), Mancha deve passar por audiência de instrução em um dos processos em que é investigado por tráfico de drogas e crimes relacionados. O processo corre na 4ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte, que agendou a audiência para a tarde desta segunda-feira, com um horário reservado também para a quarta-feira (5/8), caso haja necessidade. A prorrogação da prisão de Mancha ocorreu após pedido da Polícia Civil, que alegou que as investigações ainda estão em andamento e que permanecem presentes os requisitos legais para a manutenção da medida. O Ministério Público também se manifestou favoravelmente ao pedido.
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que os elementos apresentados demonstram a necessidade de manter Douglas preso para garantir o andamento das investigações. Na decisão, ele afirma que a prorrogação é necessária para preservar a ordem pública e evitar prejuízos à apuração dos fatos. "Ainda há pessoas a serem localizadas e ouvidas, contradições a serem esclarecidas e versões a serem confrontadas, sendo concreto o risco de interferência, combinação de relatos ou constrangimento das fontes de prova, especialmente diante da vulnerabilidade testemunhal já constatada no curso da investigação.
O histórico de rompimento da monitoração eletrônica, evasão internacional e utilização de identidade falsa não é empregado, isoladamente, como fundamento da prisão temporária, mas reforça a conclusão de que medidas menos gravosas seriam insuficientes para impedir que o investigado frustrasse as diligências em andamento ou se furtasse novamente à atuação estatal. Portanto, a necessidade da prorrogação não decorre da antiguidade do inquérito nem da gravidade abstrata do delito, mas das diligências concretas surgidas ou aprofundadas durante o período originário, da sensibilidade das provas ainda em formação e das circunstâncias pessoais documentadas do investigado", avaliou o magistrado, que determinou a prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias.
Há cerca de um mês, Mancha quase foi solto em razão de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na ocasião, a Corte entendeu que a prisão preventiva havia ultrapassado o prazo legal sem a devida reavaliação obrigatória. Antes que a soltura fosse efetivada, porém, a Justiça de Minas Gerais realizou nova análise do caso e decretou novamente a prisão preventiva, mantendo o investigado detido.
Segundo a Polícia Civil, Mancha é apontado como fundador da facção Tropa do Douglas (TDD), grupo com atuação no tráfico interestadual e internacional de drogas e que teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Natural de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Douglas iniciou sua trajetória criminosa em roubos de carga antes de passar a atuar no tráfico de drogas. Em 2022, uma investigação da Polícia Civil o apontou como responsável pelo envio de mais de 300 quilos de cocaína escondidos em uma carga de açaí com destino a Portugal. Em 2023, ele chegou a ser preso em Mateus Leme, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas obteve autorização para cumprir prisão domiciliar. No ano seguinte, durante uma operação da Polícia Civil em Capitólio, no Sul de Minas, investigadores encontraram apenas a tornozeleira eletrônica do suspeito presa a um macaco de pelúcia, indicando que ele havia escapado do monitoramento. Após cerca de um ano foragido, Mancha foi localizado e preso na Bolívia.