Lula tenta conversa com Trump em meio à crise diplomática e aos tarifaços

Lula afirma que tenta falar com Trump por telefone e defende Lei da Reciprocidade após tarifas americanas sobre produtos brasileiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (14/8), que está tentando agendar uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração ocorre em meio a uma crise diplomática entre os dois países e ao distanciamento na relação entre os dois chefes de Estado. Entre os temas que poderiam ser abordados na conversa estão as duas tarifas impostas recentemente pelo governo americano sobre produtos brasileiros, de 25% e 12,5%.
Apesar da tensão na relação bilateral, Lula elogiou o tratamento que recebe de Trump. "Eu trato eles bem, o Trump tem me tratado bem. Ele tem me tratado muito bem, de forma muito respeitosa e eu trato ele de forma muito respeitosa. [...] Estou tentando falar com ele. Estou tentando manter o contato com ele, porque quero ter uma conversa "tête-à-tête"", disse, em entrevista aos podcasts "Não Inviabilize" e "As Cunhãs".
Lula também deixou um recado direto ao presidente americano sobre possíveis interferências no processo eleitoral brasileiro. "E vou dizer "não se meta nos negócios do Brasil e sobretudo na nossa eleição". E se meter, vão perder. Quem vier dar palpite na nossa eleição vai perder", acrescentou. Integrantes do entorno do presidente temem que o governo Trump tente fazer ingerências no processo eleitoral para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
O presidente voltou a apontar o secretário de Estado americano Marco Rubio como o principal responsável pelos tarifaços contra o Brasil, revelando que já fez críticas a Rubio diretamente em conversas com Trump. "Ele sabe que eu não gosto das pessoas que estão com ele, porque já falei com ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina. Já falei para ele", declarou. Lula ainda destacou a postura de Trump em relação aos demais integrantes do governo americano. "Eu estive em uma reunião com o Trump e mais quatro pessoas e falei pro pessoal: o Trump é o melhor de todos eles. É o que conversa mais seriamente comigo", concluiu.
Além disso, Lula defendeu a adoção da Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil tomar medidas de retaliação aos Estados Unidos. Na quinta-feira (13/8), o governo deu início ao processo para aplicar a legislação. "Entramos com a lei da reciprocidade para mostrar também que a gente não é pouca coisa", apontou o presidente. A iniciativa marca uma postura mais assertiva do Brasil diante das pressões comerciais americanas, sinalizando que o governo brasileiro não pretende aceitar as tarifas sem resposta.