Lula evita debates para tentar expor Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio Bolsonaro
Ao se ausentar dos debates do primeiro turno, Lula transfere os ataques dos adversários para Flávio Bolsonaro e preserva sua imagem institucional
Lula ainda não recusou formalmente o convite da Band para o debate eleitoral, mas, nos bastidores da campanha, já não há quem defenda sua participação nos embates do primeiro turno. A avaliação interna é de que, ao se ausentar, o presidente transfere o alvo dos adversários para as costas de Flávio Bolsonaro (PL), tornando o senador o principal foco dos ataques. Fontes da campanha relataram que uma das principais preocupações de Lula em relação aos debates é preservar sua imagem institucional de presidente. O temor é que o nível dos ataques possa rebaixar a posição do chefe do Executivo, que teria de responder a candidatos que, mesmo antes dos debates, já demonstram agressividade em suas declarações e estão mal nas pesquisas, partindo para o tudo ou nada.
Nas contas dos petistas, Lula sofrerá críticas por se ausentar e será alvo das primeiras intervenções dos candidatos, mas o desgaste seria menor do que passar cerca de duas horas "apanhando" de um elenco de candidatos de direita e extrema direita. Ao faltar aos debates, Lula transforma Flávio no principal alvo desses adversários. O bolsonarista terá de decidir se também se ausenta, como Lula, ou se enfrenta esses concorrentes em uma disputa verbal sem trégua. Por isso, o próprio PL aguarda a decisão de Lula para definir sua posição nos debates do primeiro turno. Na coordenação da campanha, é dito que Lula está à frente nas pesquisas e, no momento, pode se dar o luxo de não participar dos debates.
A pesquisa divulgada pela BTG/Nexus animou seus auxiliares ao mostrar uma posição consolidada de Lula à frente de Flávio, mesmo após o anúncio de inquéritos contra o filho Fábio Luis, o Lulinha, e a revelação de que um de seus principais assessores, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu dinheiro da lobista do Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes. Em vez de perder pontos, Lula ampliou a vantagem sobre o senador no primeiro turno. O petista oscilou de 41% para 40% em relação à pesquisa anterior, enquanto Flávio recuou de 37% para 35%, deixando Lula com uma vantagem de cinco pontos percentuais. Na projeção de segundo turno, Lula segue à frente, mas dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Ainda assim, o presidente aumentou sua vantagem, oscilando de 46% para 47%, contra Flávio, que perdeu um ponto e ficou com 44% da intenção de votos. A estratégia de Lula de evitar os debates reflete um cálculo político claro: ao se manter fora do palco, o presidente preserva sua imagem institucional e força Flávio Bolsonaro a absorver a pressão dos demais candidatos, enquanto mantém sua liderança nas pesquisas.