Renê Nogueira, preso pelo assassinato do gari Laudemir, cursará EAD na prisão

Renê da Silva Nogueira Júnior empresário preso por matar gari em BH
Renê Nogueira Júnior, preso pelo assassinato do gari Laudemir, recebeu autorização para cursar faculdade EAD com supervisão rigorosa
Preso há um ano pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, Renê da Silva Nogueira Júnior, de 48, recebeu autorização judicial para cursar uma faculdade de Gestão Financeira na modalidade de Ensino a Distância (EAD). A decisão, datada de 29 de maio determina "rígida supervisão" do detento por parte do Presídio de Caeté, com o objetivo de garantir que o acesso à internet seja utilizado exclusivamente para fins educacionais. O pedido para que Renê pudesse frequentar o curso foi protocolado pelo então advogado Bruno Rodrigues, destituído da defesa na última sexta-feira (7/8). As informações são de O Tempo
Na petição, a defesa argumentou que o réu teve a matrícula aceita pela instituição de ensino, com dispensa de vestibular, por possuir "graduação pretérita (ingresso como portador de diploma)". O documento também destacou que familiares, mediante procuração, conduziram o processo de inscrição. Ao autorizar os estudos, o juiz Matheus Moura Miranda considerou que a Constituição Federal de 1988 consagra a educação como um direito de todos e que "a participação em atividades educacionais e laborais durante o período de custódia contribui para a disciplina no ambiente prisional e favorece os objetivos de prevenção e ressocialização do sistema penal". A Justiça também determinou que o descumprimento das regras de monitoramento resultará na suspensão imediata do benefício e em falta disciplinar.
**Polêmicas sobre o currículo** No centro da exposição midiática do caso estava a imagem de Renê como um empresário bem-sucedido e com formação acadêmica considerada relevante. Em seu perfil no LinkedIn, ele alegava ter passado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, pela Universidade de São Paulo (USP) e por Harvard, nos Estados Unidos. No entanto, todas as instituições negaram qualquer vínculo com o empresário.
Na última sexta-feira, tornou-se pública a decisão de Renê de romper com o advogado Bruno Rodrigues, que o defendeu durante praticamente todo o processo. A separação, porém, não ocorreu de forma amigável. Conforme noticiou O TEMPO, o escritório que o representou entrou com um processo no Rio de Janeiro para cobrar R$ 240 mil em honorários. A ação foi distribuída nesta segunda-feira (10/8) na 3ª Vara Cível da Regional da Barra da Tijuca e será decidida pela juíza Érica Batista de Castro. O valor seria referente ao contrato assinado com o réu, que previa remunerações adicionais por vitórias ao longo do processo, mas que não teria sido quitado após a troca da defesa.
Nesta terça-feira (11/8), a morte de Laudemir completa um ano. O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto de 2024, por volta das 9h, durante uma confusão no trânsito. Enquanto o caminhão de coleta de lixo estava parado, um carro BYD cinza que vinha na direção contrária se aproximou. O condutor sacou uma arma e ameaçou a motorista do caminhão, dizendo que "iria atirar na cara" dela. O disparo, contudo, atingiu Laudemir, que não resistiu aos ferimentos. Na tentativa de evitar que outros casos semelhantes ocorram e de garantir mais segurança a esses profissionais, tramita na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) o Projeto de Lei 479/2025, que institui o Programa Municipal de Proteção e Valorização dos Profissionais de Limpeza Urbana (Progari). O texto está previsto para ser votado em segundo turno nesta terça-feira (11), data em que se completa um ano do assassinato de Laudemir.