Operação da PF investiga suspeita de fraudes em licitações no MA

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Operação Monte Sinai apura fraudes em licitações e desvio de recursos no Maranhão; deputado não é alvo da ação
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), a Operação Monte Sinai, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e crimes contra a ordem tributária no Maranhão. Conforme apurou o g1, a investigação envolve emendas do deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL), embora o parlamentar não seja alvo da ação. Segundo a PF, a investigação teve início a partir de análises realizadas pela Receita Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sendo três deles em São Luís e outros seis em municípios do interior do Maranhão.
A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos investigados. Além disso, empresas envolvidas na apuração ficaram proibidas de participar de licitações e de manter contratos com órgãos públicos. De acordo com os investigadores, há indícios de irregularidades na aplicação de recursos de emendas parlamentares federais repassados por meio de convênios para obras de infraestrutura em municípios maranhenses. A operação também apura a possível utilização irregular de recursos de precatórios do Fundef/Fundeb em contratos de pavimentação e infraestrutura. A suspeita é de que os valores tenham sido usados em desacordo com a destinação prevista em lei, já que esses recursos são vinculados ao financiamento e ao desenvolvimento da educação pública.
Apesar de não ser alvo da Operação Monte Sinai, o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) já foi alvo de outras operações que investigaram suspeitas de irregularidades envolvendo emendas parlamentares e contratos públicos. A mais recente foi a Operação Afluente, deflagrada pela Polícia Federal em 25 de junho deste ano, quando Josimar Maranhãozinho foi alvo de buscas em uma investigação sobre suspeitas de desvio de recursos de emendas do chamado "orçamento secreto". Segundo a PF, a Operação Afluente investigava uma organização criminosa suspeita de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e no Maranhão.
De acordo com a investigação, os recursos teriam sido operacionalizados por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e direcionados à contratação de empresas supostamente ligadas, direta ou indiretamente, ao grupo investigado. Antes disso, Josimar Maranhãozinho também foi alvo da Operação Descalabro, da Polícia Federal, em 2020, que apurou suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas à saúde no Maranhão. À época, a PF apontou indícios de peculato e lavagem de dinheiro.
O deputado negou irregularidades. Em 2021, o parlamentar foi alvo ainda da Operação Maranhão Nostrum, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, que investigou suspeitas de fraudes em licitações e contratos para fornecimento de medicamentos em municípios maranhenses ligados à base política do deputado. Em março de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Josimar Maranhãozinho, o deputado Pastor Gil (PL-MA) e o suplente João Bosco (PL-SE) em um processo envolvendo irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo atuou no desvio de R$ 1,6 milhão em emendas. A acusação apontou que Josimar Maranhãozinho coordenava a destinação dos recursos, acompanhava a liberação dos valores e fazia cobranças de propina. As defesas negaram participação nos crimes.