Diretor da CIA visita Moscou e acende especulações nos EUA

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Diretor da CIA esteve na capital russa pela primeira vez desde que assumiu o cargo, segundo CBS e Axios, sem confirmação oficial
O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Moscou nesta terça-feira (25), de acordo com informações da emissora americana CBS e do site Axios. Até o momento, nem Washington nem Moscou confirmaram oficialmente a visita, que representa um raro movimento diplomático de alto nível entre os dois países. Segundo as reportagens, que citaram fontes não identificadas, John Ratcliffe participou de reuniões com autoridades russas, embora os veículos não tenham informado com quais representantes ele se encontrou nem quais foram os temas discutidos. O motivo da viagem, a primeira visita conhecida de John Ratcliffe à Rússia desde que assumiu o cargo em 2025, também não foi divulgado oficialmente. Esta seria ainda a primeira visita de um diretor da CIA à capital russa desde a ida de William Burns, antecessor de Ratcliffe, que se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin em novembro de 2021, cerca de três meses antes de o Kremlin ordenar a invasão da Ucrânia.
Um avião militar dos Estados Unidos aterrissou nesta terça-feira em Moscou. De acordo com dados do site de monitoramento de voos Flightradar24, a aeronave decolou pela manhã da Letônia com destino ao Aeroporto de Vnukovo, na capital russa. A mesma aeronave havia voado anteriormente, no domingo, da Base Aérea de Andrews, próxima a Washington e utilizada para deslocamentos de altas autoridades, até Riga, capital da Letônia. O avião deixou Moscou no início da noite de terça-feira. A CIA se recusou a comentar o assunto, e a Rússia também se negou a confirmar a visita. Questionado durante sua coletiva diária, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, respondeu que "não tinha essa informação". Ele também havia afirmado anteriormente que nenhuma reunião com representantes da administração americana estava prevista no Kremlin para aquela semana.
Diversos assuntos podem explicar essa rara viagem do mais alto responsável da inteligência externa dos Estados Unidos. Entre eles estão o conflito na Ucrânia e as tensões com o Irã, em um momento em que Washington tenta mobilizar potências estrangeiras para apoiar sua estratégia de pressão econômica sobre Teerã. A visita de John Ratcliffe ocorreu logo após a administração Trump ameaçar, na segunda-feira (24), impor sanções a qualquer país que mantivesse relações comerciais com o Irã, com o objetivo de fazer Teerã ceder em seu conflito com Washington.
A troca de prisioneiros é outro tema provável das discussões. Rússia e Estados Unidos já realizaram esse tipo de acordo no passado, mas Washington continua exigindo a libertação de vários cidadãos americanos detidos em território russo. O presidente Donald Trump, que chegou a prometer encerrar a guerra na Ucrânia em 24 horas, buscava um acordo de paz rápido, mas as negociações se encontram atualmente em um impasse. Segundo o Financial Times, os Estados Unidos teriam obtido da Ucrânia a garantia de que seus drones não atacariam Moscou nem diversas outras áreas no início da semana, a fim de permitir a viagem de uma alta autoridade americana. As forças ucranianas intensificaram recentemente seus ataques em território russo, algumas vezes muito longe da linha de frente, em resposta à ofensiva em grande escala lançada pela Rússia em fevereiro de 2022. A visita de John Ratcliffe a Moscou, ainda sem confirmação oficial de nenhuma das partes, representa um dos movimentos mais significativos entre as duas potências nos últimos anos, em meio a um cenário geopolítico marcado por múltiplos focos de tensão.