Trump diz que Irã "está em colapso"

Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Evan Vucci
Trump declara que o Irã "está em colapso" enquanto os EUA anunciam sanções econômicas sem precedentes contra Teerã
O presidente americano Donald Trump declarou nesta segunda-feira (24) que o Irã "está em colapso", horas antes de os Estados Unidos anunciarem um pacote de sanções econômicas contra Teerã. A declaração ocorre em meio a um conflito que já dura quase seis meses, com negociações de paz paralisadas e sem perspectiva de resolução. Após uma guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra o Irã, seguidos de retaliações iranianas em toda a região, um cessar-fogo firmado em 8 de abril encerrou cerca de 40 dias de bombardeios intensos. No entanto, o controle do Estreito de Ormuz permanece como o principal ponto de tensão do conflito. "O IRÃ ESTÁ TOTALMENTE EM COLAPSO!!!", escreveu Trump em sua conta na rede social Truth Social.
Sob pressão interna crescente em razão das repercussões econômicas da guerra, que se intensificam com as eleições de meio de mandato em novembro, o presidente americano abandonou as ameaças militares em favor de uma estratégia centrada em sanções econômicas. No domingo (23), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, publicou um artigo no jornal Financial Times afirmando que Washington implementa "a maior ofensiva financeira jamais organizada contra um adversário", batizada por ele de "Dia D econômico". Em sua conta no X, Bessent acrescentou que a medida ocorre depois que os Estados Unidos "desmantelaram as capacidades militares do Irã, destruíram quase 100% de suas fábricas militares e enterraram seu programa nuclear".
O secretário do Tesouro detalhou a iniciativa nesta segunda-feira, embora ainda não esteja claro qual nova estratégia Washington poderá adotar após décadas de sanções contra o Irã. Apesar do colapso da moeda iraniana após essas declarações, Teerã respondeu com postura desafiadora e emitiu alertas severos a qualquer país que aderisse à iniciativa americana. O vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que "a narrativa não faz sentido". "Vocês dizem que o poder militar do Irã foi "desmantelado", que 100% de suas fábricas militares foram "destruídas" e que o programa nuclear foi "enterrado"", ressaltou.
Ele ainda questionou: "Isso é uma vitória ou o reconhecimento da derrota dos Estados Unidos?", acrescentando que a ação contra o Irã exige a mobilização de "todas as instituições e poderes" dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã também alertou os países para que se abstivessem de aderir à campanha econômica dos EUA, advertindo que aqueles que o fizessem teriam que arcar com "as suas próprias consequências".
O Irã controla o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio de combustíveis, desde o início do conflito. A reabertura do estreito tornou-se uma prioridade para Washington, mas Teerã insiste que a via permanecerá fechada até que os Estados Unidos suspendam o bloqueio sobre os portos iranianos, eliminem as sanções petrolíferas e descongetem os ativos iranianos no exterior. O governador do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, minimizou a forte desvalorização da moeda local, que atingiu um mínimo histórico, classificando-a como um efeito "temporário" e atribuindo o choque "principalmente à propaganda política americana". Nesta segunda-feira, o rial era negociado no mercado paralelo a mais de 2 milhões de riais por dólar, segundo sites especializados, em comparação com 1,65 milhão de riais antes da guerra.
A economia iraniana também enfrenta o impacto de uma forte redução nas exportações de petróleo causada pelo bloqueio naval americano. Os envios de petróleo pelo Estreito de Ormuz caíram de 2 milhões de barris por dia antes da guerra para 0,4 milhão em meados de agosto, de acordo com a consultoria Kpler. Trump anunciou que Washington aumentaria a pressão econômica sobre o Irã "a uma escala sem precedentes", pressionando outros governos, incluindo a China, a aderir aos esforços para isolar ainda mais a economia iraniana. Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, publicou um artigo nesta segunda-feira no jornal iraniano Ettela"at afirmando que as relações com a China "adquiriram dimensões mais profundas, mais estruturais e mais amplas". O Irã enfrenta sanções americanas e internacionais desde a revolução islâmica de 1979 e classifica a política de sanções como um fracasso, insistindo que a pressão econômica e as ameaças não obrigarão o país a mudar de rumo.