Infantino resiste à crise, mas perde apoios na FIFA

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FIFA pede desculpas por erros no caso do projeto de privatização, mas mantém apoio a Infantino, que enfrenta pressão crescente de líderes e imprensa
A FIFA reconheceu na quarta-feira (5) que "foram cometidos erros" após o vazamento do polêmico projeto de abertura das competições internacionais a investidores privados. A entidade reafirmou seu "apoio total" a Gianni Infantino, mas a permanência do dirigente suíço-italiano na presidência segue sendo questionada pela imprensa francesa e europeia nesta quinta-feira (6). Ao término de uma reunião de crise entre Infantino e um pequeno grupo de diretores em Rabat, no Marrocos, a FIFA publicou um longo comunicado e enviou uma carta ao Conselho da entidade e às 211 federações nacionais membros. O documento apresenta "sinceras desculpas por esses erros" e se compromete a não repeti-los, mas mantém o respaldo ao presidente.
O site do jornal Le Monde resumiu a situação com o título "Infantino se agarra ao seu trono na FIFA". O comunicado da FIFA, reproduzido pelo Le Monde, vai além do pedido de desculpas e adota um tom ameaçador em relação à imprensa internacional, que há vários dias denuncia o estilo de governança solitário de Infantino. Em uma atmosfera descrita pelo jornal como digna de uma obra de George Orwell, a entidade adverte que "não tolerará mais qualquer ataque à sua integridade, à sua boa governança e ao respeito de seus procedimentos", acrescentando que "tomará todas as medidas necessárias para proteger e preservar seu nome e reputação".
Para o Le Parisien, o apoio institucional não é suficiente para encobrir o isolamento de Infantino após o vazamento do projeto de privatização, duramente criticado pelas federações regionais. O diário aponta que a crise coloca em evidência uma administração opaca, muito distante das promessas de transparência feitas pelo dirigente quando assumiu a presidência da FIFA em 2016. Já o Le Figaro afirma que Infantino está "à beira de um precipício": antes considerado um presidente todo-poderoso, ele passou a ser visto como um pária, embora a hipótese de demissão ainda permaneça em segundo plano. No campo esportivo, vozes importantes também se levantaram contra o dirigente. "Infantino deve sair", afirmou o ex-craque português Luís Figo em coluna de opinião publicada no jornal britânico Daily Mail, descrevendo-o como um "vestígio do passado que não deve fazer parte do futuro".
O príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol, foi ainda mais direto e acusou Infantino de "chantagem" na terça-feira. A pressão sobre Infantino ultrapassou as fronteiras do futebol. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, juntou-se nesta quarta-feira ao premiê britânico Andy Burnham para criticar duramente o presidente da FIFA. "Sem dúvida, diante do que aconteceu, já não tenho mais confiança no senhor Infantino", declarou Carney, cujo país será um dos anfitriões da Copa do Mundo de 2026, ao lado dos Estados Unidos e do México.
Para o premiê canadense, o fato de a equipe diretiva da FIFA não ter sido consultada sobre o plano de privatização "deveria ser fatal" para o mandato de Infantino. Na semana passada, Burnham já havia afirmado que o dirigente era "a pessoa errada para dirigir" o órgão máximo do futebol mundial. Apesar de toda a turbulência, Infantino continua sendo o único candidato declarado à reeleição para o comando da FIFA. A votação está prevista para março de 2027, no Marrocos. O ítalo-suíço de 56 anos precisará da maioria das 211 federações-membro para conquistar um novo e último mandato de quatro anos. Até o momento, algumas federações europeias, como as da Finlândia, do País de Gales, da Sérvia e da Suécia, já retiraram oficialmente o apoio a ele.