ICE planeja gastar US$ 20 mi em luvas de choque

Luvas de choque - Foto: Reprodução
O ICE publicou contrato para compra de luvas elétricas de até 380 volts, com entrega prevista para março de 2027
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) planeja gastar até US$ 20 milhões para adquirir luvas capazes de emitir choques elétricos. O contrato foi publicado no portal do Departamento de Segurança Interna (DHS) e prevê a entrega dos equipamentos até 31 de março de 2027.
O documento não especifica quantas unidades serão adquiridas, o custo individual por luva nem quando os agentes começariam a utilizá-las. Os dispositivos são conhecidos como CTG 5 G.L.O.V.E, sigla para "Generated Low Output Voltage Emitter" (Emissor de Baixa Tensão Gerada).
De acordo com a fabricante, as luvas têm como objetivo desescalar confrontos com indivíduos. No site da empresa, o produto é descrito como um "parceiro invisível" para aumentar a eficácia do usuário, com a finalidade de "complementar as ferramentas existentes para aplicação da lei, correções, segurança, serviços médicos de emergência e militares".
Como as luvas de choque funcionam
A Compliant Technologies comercializa o G.L.O.V.E como um "dispositivo de desescalada vestível" que pode ser ativado no modo elétrico. Um manual do usuário dos modelos CTG4 e 5, disponível no site da fabricante, indica que as luvas podem emitir uma tensão máxima de até 380 volts, capaz de "inibir/distrair o indivíduo de realizar movimentos musculares coordenados".
O mesmo documento estabelece que não é indicado aplicar mais de duas luvas em um indivíduo ao mesmo tempo. Em muitos casos, o dispositivo deve ser usado por mais de 15 segundos em contato direto com a pele.
Em situações em que "os policiais ou o público estejam em perigo", o manual sugere que as luvas sejam utilizadas conforme necessário até que "controle e conformidade" sejam obtidos, ou que se recorra a um nível mais elevado de força.
Mortes envolvendo agentes do ICE em 2026
A política antimigração de Donald Trump representa uma das pautas centrais do projeto político republicano. A discussão sobre violência associada ao ICE envolve denúncias organizadas por ONGs de direitos humanos, relatos de imigrantes detidos e a contestação dessas acusações pelo próprio governo e por defensores da agência.
Entre as pessoas mortas por agentes do ICE em 2026 estão:
Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
Alex Pretti, também de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, morreu após levar tiros de um agente do ICE no Maine. Ele possuía autorização para trabalhar nos EUA.
Lorenzo Salgado Araújo, um mexicano de 52 anos que vivia há anos em Houston, no Texas, também morreu durante uma abordagem pelo Serviço de Imigração e Alfândega.
Além desses casos, um levantamento da agência Reuters apontou que 50 pessoas morreram em instalações do ICE desde o início do segundo mandato de Donald Trump.
O contexto de aquisição das luvas de choque se insere em um cenário de crescente escrutínio sobre os métodos utilizados pela agência em suas operações.