Ibovespa sobe com exterior e decisão do Copom

Foto: Reprodução
O Ibovespa operava em alta impulsionado pelas bolsas internacionais, pelo petróleo e pela expectativa em torno da decisão do Copom sobre a Selic
O Ibovespa operava em alta nesta quarta-feira, 5, impulsionado pelo bom desempenho das bolsas de Nova York e da Europa, além do avanço do minério de ferro. O dia também é marcado pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, com investidores atentos ao comunicado que acompanhará o anúncio. No radar interno, balanços de grandes empresas como Itaú, Gerdau e C&A também concentram as atenções do mercado. Às 11h09, o Ibovespa subia 1,23%, aos 180.083,06 pontos, na máxima do dia, após abrir na mínima em 177.896,23 pontos, com variação zero. Na véspera, o índice havia encerrado praticamente estável, com alta de apenas 0,06%, aos 177.894,97 pontos, mesmo diante do rali registrado em Wall Street. O desempenho fraco na terça-feira foi puxado, sobretudo, pela queda das ações da Petrobras, reflexo do recuo do petróleo, que fechou abaixo de US$ 80 o barril.
No exterior, o mercado acompanha a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sinalizar na véspera que um entendimento poderia ser anunciado ainda nesta quarta, o presidente Donald Trump afirmou que o acordo pode ser fechado entre quarta e quinta-feira. Irã e Omã, países que compartilham a rota marítima, avançaram nas negociações para normalizar a navegação na região. O petróleo do tipo Brent voltou a subir nesta sessão, chegando a alcançar a máxima de US$ 80,95, em alta de cerca de 1%. Perto das 11 horas, o barril subia 0,19%, a US$ 79,52. Investidores também avaliaram o relatório ADP, que apontou a criação de apenas 44 mil vagas no setor privado dos EUA em junho, número abaixo da mediana das estimativas, que era de 75 mil.
O dado entra no radar para calibrar as apostas para o payroll de sexta-feira e para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). "Acompanha bem o exterior. Ontem foi assim até um certo momento, mas depois realizou um pouco. Temos de ver como será a parte da tarde", disse Pedro Moreira, da One. O analista destacou ainda a atenção voltada para o Copom: "A decisão, um corte da Selic já está contratado. Temos de ver como virá o comunicado, se reforçará expectativa de juros em 13,75% no final deste ano, como indica o boletim Focus".
Espera-se que o Copom anuncie um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, que atualmente está em 14,25%. O mercado, no entanto, direciona sua atenção principalmente ao comunicado, que pode sinalizar os próximos passos da política monetária brasileira. "O futuro permanece incerto, principalmente no longo prazo", afirmou Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, em comentário matinal. Entre os balanços divulgados, o Itaú reportou lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% e em linha com as estimativas do mercado.
A Gerdau registrou crescimento anual de 69,7% no lucro. Klabin, GPA, Prio e Tenda também divulgaram seus resultados. O Bradesco deve apresentar seu balanço trimestral após o fechamento da B3. No campo político, o mercado digeriu pesquisas Genial/Quaest e Meio/Ideia, que mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em simulações de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos segue no radar dos investidores. Flávio Bolsonaro também deve anunciar nesta quarta o nome que integrará sua chapa na disputa pela Presidência da República. No Ibovespa, Vale tinha alta de 0,34% e o Itaú avançava 2,73%. Já as ações da Petrobras recuavam entre 0,28% (PN) e 0,75% (ON), na contramão do movimento geral do índice.