Ibovespa registra dez quedas seguidas

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Saída de R$ 15 bilhões em agosto e tensões no mercado global pressionam o Ibovespa pelo décimo pregão consecutivo
O dólar abriu os negócios desta terça-feira cotado a R$ 5,22, mantendo-se próximo ao maior patamar desde março, após recuar ante o real pela primeira vez em seis sessões no dia anterior. Na Bolsa, a saída de recursos estrangeiros, que já supera R$ 15 bilhões em agosto, levou o Ibovespa ao décimo pregão seguido de queda. Os investidores também reagiram ao balanço da XP, divulgado na véspera, e ajustaram posições no setor de varejo após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia. A moeda norte-americana começou a terça-feira cotada no comercial para venda a R$ 5,216, variação de 0,28% em relação ao fechamento anterior. O movimento veio logo após a primeira queda registrada em cinco sessões consecutivas de alta.
O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Hormuz, rota marítima por onde passavam 20% do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra, mantém a aversão a risco entre investidores. O contrato futuro com entrega para outubro do barril do tipo Brent atingiu a máxima de US$ 91,84. Os índices acionários recuaram na Ásia e apresentaram viés negativo na Europa e em Wall Street. "No exterior, as tensões entre Washington e Teerã seguem no radar, com Trump ameaçando o Omã caso o país atrapalhe os planos americanos para o Estreito de Hormuz. O petróleo se mantém perto de US$ 90 e o mercado segue sem apetite para grandes apostas", afirmou Vitor Kayo, economista sênior na Nomad.
O Ibovespa, índice das ações mais negociadas na B3, fechou praticamente estável na segunda-feira, com variação de apenas 0,09%, para 166.783 pontos, mas ainda acumulando dez pregões seguidos de baixa. O saldo líquido dos investidores estrangeiros na B3 acumula saída de R$ 15,63 bilhões em agosto até o dia 13, segundo levantamento da Elos Ayta. "O resultado já representa a maior saída mensal registrada pela série histórica acompanhada pela consultoria desde janeiro de 2022, superando inclusive o saldo negativo de R$ 13,28 bilhões observado em maio deste ano. Com isso, 2026 passa a concentrar as duas maiores saídas mensais da amostra", destacou Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta.
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia gerou forte movimentação no setor de varejo. As ações da empresa despencaram 33,3% na segunda-feira, para R$ 0,44, refletindo a saída de investidores que realocaram parte dos recursos em outras companhias do mesmo segmento. Entre os principais credores cujas dívidas entraram no pedido estão bancos e fabricantes de eletrônicos. Com os ajustes dos aplicadores, as ações do Magazine Luiza foram beneficiadas, fechando a sessão com alta de 8,2%, a R$ 4,23. Os papéis da Americanas, que ainda aguarda julgamento para o encerramento de sua recuperação judicial, também subiram 1,6%, a R$ 3,80.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reiterou que a estatal está "extremamente otimista" com os resultados da descoberta de petróleo no poço pioneiro de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. Segundo ela, a perfuração deve ser concluída em cerca de 15 dias, após o que o próximo passo será delimitar a descoberta, medindo a extensão e o volume recuperável do reservatório. As ações da companhia subiram 0,9% na segunda-feira, fechando a R$ 42,47. A XP reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,384 bilhão para o segundo trimestre, com receita bruta de R$ 5,056 bilhões, aumento de 8% em base anual e de 3% em relação ao primeiro trimestre. Em entrevista, o CEO da XP Inc, Thiago Maffra, disse que seria uma evolução natural o grupo ter um banco no mercado norte-americano. As ações da XP negociadas na Nasdaq recuavam 1,6% no pré-mercado, cotadas a US$ 15,45.