Habib’s entra com pedido de recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

Fachada de uma unidade da rede brasileira de fast-food Habib's - Foto: Rafael de Matos Carvalho/ Adobe Stock
Rede declara dívida de R$ 265,2 milhões e aponta pandemia e alta da Selic como causas da crise financeira
O Habib’s entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), declarando uma dívida total de R$ 265,2 milhões à Justiça de São Paulo. A decisão favorável foi proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, que nomeou a consultora KPMG como administradora judicial do processo.
Procurado pela reportagem, o Grupo Habib’s informou, por meio de sua assessoria, que o objetivo da recuperação judicial é preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo. “As operações do grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades. Presente na vida dos brasileiros há quase 40 anos, a companhia segue comprometida com a força de suas marcas, a evolução de seu negócio e a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de brasileiros”, diz a nota divulgada pelo grupo.
De acordo com os argumentos apresentados pela empresa no processo, a crise financeira tem origem em três fatores principais: os impactos da pandemia de Covid-19, o crescimento das plataformas de delivery, que prejudicou os resultados das lojas físicas, e a elevação da taxa de juros nos últimos anos.
A empresa aponta que o aumento da Selic de 4% para cerca de 15% elevou significativamente o custo de captação e de rolagem das dívidas.
O juiz determinou a suspensão de todas as ações de execução de dívidas contra a empresa e ordenou que os credores não suspendam nem interrompam contratos em razão do pedido de recuperação judicial.
No entanto, foi negada a liberação de recebíveis bancários cedidos em garantia fiduciária, modalidade em que o devedor cede ao credor o direito temporário sobre algum crédito ou ativo financeiro.
A partir de agora, o conglomerado tem 60 dias para apresentar o plano de reestruturação, sob pena de entrar em processo de falência.
Ao todo, 178 pessoas jurídicas do grupo Gennius estão incluídas no pedido de recuperação. Além delas, constam também dois sócios do grupo, Alberto Saraiva e Belchior Saraiva, cuja atividade rural, segundo o Habib’s, tem relação direta com a cadeia produtiva do grupo.
Entre as empresas envolvidas estão dez franqueadoras e holdings de participação, 17 sociedades de estrutura operacional, seis churrascarias Tendal, 119 lojas Habib’s e 26 lojas Ragazzo.