Justiça dos EUA rejeita pedido para anular condenação de cúmplice de Epstein

Epstein e a ex-namorada Ghislaine Maxwell - Foto: BBC
Juiz rejeita recurso de Ghislaine Maxwell para anular condenação de 20 anos no caso Epstein, classificando alegações como "frívolas"
A Justiça dos Estados Unidos rejeitou o pedido de Ghislaine Maxwell para anular sua condenação a 20 anos de prisão no caso envolvendo o financista Jeffrey Epstein. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (25), pelo juiz Paul Engelmayer, que classificou as alegações da ré como infundadas e "frívolas". Maxwell, de 64 anos, é acusada de ter auxiliado Epstein a abusar sexualmente de adolescentes.
Ghislaine Maxwell optou por se representar no tribunal, contestando tanto a própria condenação quanto a sentença proferida em dezembro de 2021. Ela também solicitou um habeas corpus com o argumento de que a punição imposta a ela seria ilegal. Entre os argumentos apresentados, Maxwell alegou que documentos divulgados no início deste ano, por meio da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, demonstrariam violações ao seu direito ao devido processo legal.
Em abril, Ghislaine Maxwell foi convocada a depor perante um Comitê da Câmara dos Estados Unidos, mas se recusou a responder às perguntas dos deputados. Na ocasião, seu advogado deixou claro que ela só colaboraria mediante clemência, prerrogativa exclusiva do presidente Donald Trump. A possibilidade de um acordo chegou a ser discutida publicamente pelo presidente do comitê, James Comer, em entrevista ao site estadunidense Politico.
Questionado sobre se considerava o acordo adequado, Comer respondeu: "Muita gente acha que sim. Meu comitê está dividido quanto a isso".
Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano que acumulou fortuna por meio do próprio fundo de investimentos, o "Jeffrey Epstein VI Foundation", e mantinha relações próximas com celebridades, políticos, membros da realeza e outras figuras de renome mundial. Em 2008, ele foi condenado por exploração sexual após ser acusado de pagar garotas menores de idade por massagens a pessoas de seu círculo social na Flórida. Um acordo judicial secreto o livrou de um julgamento federal, resultando em uma pena de apenas 13 meses de prisão.
Mais de uma década depois, Epstein foi novamente preso, desta vez acusado de organizar uma rede de exploração sexual de menores, com quem teria mantido relações em suas propriedades nos Estados Unidos e em outros países. Nomes de grande notoriedade estariam associados a essa rede, incluindo o Príncipe Andrew, da Inglaterra. Epstein cometeu suicídio em 2019, pouco após ser detido e antes de ser julgado pelos crimes investigados pelo FBI.
Com a decisão do juiz Engelmayer, Ghislaine Maxwell permanece condenada, sem perspectiva imediata de reversão da sentença que a mantém atrás das grades.