Galípolo defende o Pix e alerta para endividamento

Gabriel Galípolo (Lula Marques/ Agência Brasil/Divulgação)
Presidente do Banco Central celebra inclusão financeira gerada pelo Pix, mas aponta crescimento do endividamento como ponto de atenção
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o Pix diante das pressões internacionais dos Estados Unidos e destacou que o sistema de pagamentos instantâneos ampliou significativamente o acesso da população brasileira ao sistema financeiro. Ao mesmo tempo, Galípolo reconheceu que essa inclusão também contribuiu para o aumento do endividamento entre os brasileiros. Galípolo apresentou números expressivos sobre o alcance do Pix durante o painel de abertura da Febraban Tech 2026. Segundo ele, o sistema registrou 80 bilhões de transações em 2025, movimentando R$ 35 trilhões.
A ferramenta atinge 140 milhões de consumidores e 12,8 milhões de empresas, com destaque para a inclusão da população de baixa renda. Ao tratar do impacto do Pix na inclusão bancária, Galípolo afirmou que os pagamentos instantâneos distribuíram o acesso aos serviços financeiros de forma ampla. "A gente percebe que esse processo de inclusão estava praticamente flat [estável] ao longo dos anos que antecedem a inovação e a criação do Pix", disse durante sua apresentação. Galípolo também citou um levantamento da Genial/Quaest para ressaltar o alto nível de confiança da população na ferramenta, que alcança 80% dos brasileiros.
Com bom humor, o presidente do BC observou: "Tem um ponto que me preocupa, é que o Pix esteja em primeiro como instituição de confiança e o cônjuge [casamento] esteja em quinto". O presidente do BC também criticou os boatos que circulam sobre o Pix, enfatizando que o sucesso da ferramenta resiste à desinformação. Galípolo recomendou que a população busque informações apenas no portal oficial do Banco Central. "O BC só se manifesta por meio dos seus diretores e presidentes oficialmente. Na dúvida, acesse o site", orientou.
Apesar de celebrar a inclusão de milhões de pessoas no sistema financeiro, Galípolo reconheceu que o Pix também facilitou o acesso ao cartão de crédito e, consequentemente, ao endividamento. "Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar do endividamento", observou. Galípolo ponderou, no entanto, que nem toda dívida é prejudicial. Ele explicou que um financiamento imobiliário, por exemplo, não pode ser visto como algo negativo para as famílias. "Quando alguém toma alguma dívida no setor imobiliário e compra uma casa, ela está constituindo um ativo", disse. Em seguida, completou: "O problema é você estar endividado com alguma coisa que não está constituindo um ativo, é um consumo efêmero e que vai virar um problema, especialmente com uma taxa de juros mais elevada ou com uma linha de crédito que não é adequada".
Os dados sobre endividamento no Brasil são preocupantes. Dos 96 milhões de clientes de cartão de crédito no país, cerca de 52,8 milhões estão com dívidas no rotativo ou no parcelamento com cobrança de juros. "Os juros mensais chegam a 15,1%", lamentou Galípolo. Para enfrentar o problema, o Banco Central estuda medidas voltadas à educação financeira e ao controle de risco. Segundo Galípolo, o plano inclui exigir que as instituições financeiras façam reservas adequadas para os riscos que assumem. "É muito importante que cada instituição esteja devidamente provisionada daquilo que é o efetivo risco que ela está correndo no fornecimento daquele serviço", ressaltou. Ele ainda alertou: "Ninguém quer assistir o crescimento de uma instituição no mercado a partir de uma aposta de que se por acaso tiver algum problema ou a música parar, esse problema não vai estar no balanço dele, vai estar em algum outro lugar".