Flávio Bolsonaro mira voto feminino em inserções no rádio

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Flávio Bolsonaro usa inserções no rádio para atrair mulheres e cita filhas e esposa em campanha presidencial
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) direcionou a maior parte de suas inserções no rádio desta terça-feira para conquistar o voto feminino. Em duas das três propagandas de 30 segundos veiculadas, ele menciona as filhas e Fernanda, sua esposa, como parte da estratégia para reduzir a rejeição entre as mulheres. "Lá em casa quem manda são elas, ainda bem que é assim. O Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais", afirma Flávio Bolsonaro em uma das inserções.
A campanha enfrenta resistência semelhante à que seu pai, Jair Bolsonaro, enfrentou nas eleições de 2022, quando Michelle Bolsonaro foi incorporada à equipe para amenizar o problema junto ao eleitorado feminino. A intenção inicial de Flávio Bolsonaro era anunciar uma vice mulher, mas, ao fim, oficializou Alfredo Gaspar em sua chapa. Nas propagandas, o senador se apresenta ao eleitorado com seu nome completo, evitando usar apenas o sobrenome Bolsonaro. A referência ao pai aparece de forma discreta: "Você conhece meu pai, mas sabe de quem eu também sou filho? Do Brasil. Somos todos irmãos", diz o candidato.
Sem críticas diretas ao presidente Lula, Flávio Bolsonaro aborda a violência e o endividamento da população em seus discursos. O candidato também tem explorado o cenário econômico, com menções aos pedidos de recuperação judicial de empresas como as Casas Bahia. Em uma de suas inserções, ele declara: "Você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não está bom do jeito que está. A gente pode mudar essa história. E eu vou te mostrar como a gente vai fazer isso. Vencer o crime, vencer esse sufoco, que ninguém aguenta mais."
Enquanto isso, a campanha de Lula utilizou um hit que viralizou para atacar Flávio Bolsonaro. Em duas das três inserções de 30 segundos, o PT explorou escândalos envolvendo o senador, como o esquema da rachadinha e a cobrança feita a Daniel Vorcaro relacionada ao pagamento pelo filme Dark Horse. Outros candidatos também veicularam propagandas no rádio. Augusto Cury (Avante) abordou problemas de corrupção no país, como o mensalão, questionando os eleitores: "É isso que vocês querem? Mais quatro anos". Já Ronaldo Caiado (PSD) direcionou sua única inserção ao público feminino, com a promessa de aumentar as penas para crimes de violência contra a mulher, chamando o agressor de "covarde". Candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não têm direito à propaganda gratuita no rádio e na televisão. Segundo as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apenas partidos que atingem a cláusula de desempenho na Câmara dos Deputados têm acesso ao horário eleitoral.