Flávio Bolsonaro é alvo de jingle viral de Lula

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - © Foto: Ricardo Stuckert / PR
Campanha de Lula adapta hit do "Osmarzinho" para atacar Flávio Bolsonaro e ligar o senador ao caso Vorcaro
A campanha de Lula (PT) utilizou uma adaptação do hit viral do "Osmarzinho" para atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma das inserções da propaganda eleitoral gratuita no rádio. O jingle, que já circulava nas redes sociais antes do início do período eleitoral, é uma versão em ritmo de forró de uma música originalmente usada contra um candidato chamado Osmarzinho em 2016. Na versão adaptada para a campanha petista, a letra faz referência direta a uma polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro: "Quem pediu para o Daniel Vorcaro R$ 61 milhões para fazer o filme do pai? Foi o Flávio Bolsonaro".
A frase remete a um áudio do senador enviado ao ex-banqueiro, no qual Flávio cobrava o pagamento a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", produção ficcional sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. A conversa foi revelada pelo portal The Intercept e gerou uma das maiores crises da campanha do senador à Presidência. O jingle também mira outros membros da família Bolsonaro. "Quem está fugindo nos Estados Unidos porque se voltar para o Brasil pode ser preso? É o Eduardo, irmão do Flávio", diz a letra. A música ainda acrescenta: "Quem está preso por tentativa de dar um golpe de Estado no Brasil? É o Jair, pai do Flávio." A versão original do jingle havia sido lançada em 2016 como ataque a Osmarzinho, então candidato do PT, eleito naquele ano e reeleito em 2020. "Quem responde a oito processos inclusive um com morte? É o próprio Osmarzinho", dizia a letra original.
Na última semana, o ex-prefeito pediu à Justiça a retirada do jingle após ele viralizar nas redes sociais, e o pedido foi aceito. Lula faz críticas a Flávio Bolsonaro em duas das três inserções no rádio. Em outro material, a equipe do petista cita escândalos nos quais o senador já esteve envolvido, como o caso da rachadinha no Rio de Janeiro e a cobrança de dinheiro feita por Flávio a Vorcaro. "Flávio, o pior dos Bolsonaros", diz um dos trechos da propaganda. A inserção também menciona a homenagem feita pelo senador, quando era deputado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), a Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado como miliciano, envolvido no esquema de rachadinha e conhecido por atuar como matador de aluguel. A terceira inserção é narrada pelo próprio Lula.
Na propaganda, o presidente aborda o fim da escala 6x1, que deve ser analisado pelo Congresso na semana seguinte, e o combate à violência contra a mulher. Do lado de Flávio Bolsonaro, a estratégia escolhida foi fazer acenos ao eleitorado feminino. Em duas das três propagandas de 30 segundos, o senador cita as filhas e sua esposa, Fernanda. A campanha busca atrair o voto feminino, segmento em que Flávio enfrenta maior resistência e registra a maior rejeição, de acordo com as pesquisas eleitorais. Outros candidatos também veicularam suas inserções. Augusto Cury (Avante) fala em "curar o Brasil" e traz falas sobre problemas de corrupção no país, como o mensalão. "É isso que vocês querem? Mais quatro anos", questiona o candidato novato.
Já Ronaldo Caiado (PSD) acena às mulheres: "Caiado vai aumentar as penas [de violência contra mulher]", diz a propaganda do ex-governador de Goiás, que chama o agressor de mulher de "covarde". Candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não têm propaganda gratuita. Isso ocorre porque a regra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determina que apenas partidos que atingem a cláusula de desempenho na Câmara dos Deputados têm direito ao horário eleitoral na TV e no rádio.