Vice de Flávio Bolsonaro é alvo de investigação da PF por suspeita de estupro

Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução
Deputado Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio Bolsonaro, é alvo de investigação da PF por suspeita de estupro de menor de 13 anos
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na chapa presidencial. A escolha gerou polêmica imediata, pois Gaspar é alvo de investigação preliminar da Polícia Federal por suspeita de estupro de uma menina de 13 anos de idade. O deputado nega todas as acusações. Em abril, a PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra Gaspar. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes, que pediu parecer à Procuradoria Geral da República.
O procurador Paulo Gonet determinou que a PF realizasse diligências preliminares antes de definir sua posição sobre a abertura ou não do inquérito, e as apurações já foram iniciadas. A decisão final sobre o inquérito caberá ao ministro Gilmar Mendes. Caso as diligências apontem elementos suficientes para aprofundamento das investigações, uma decisão sobre a abertura de inquérito contra o vice de Flávio Bolsonaro pode ocorrer durante o período eleitoral. A acusação partiu da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS, ex-União) e do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Em resposta, Gaspar ingressou com acusação de calúnia contra os dois parlamentares, processo que também está sob análise do ministro Gilmar Mendes e da PGR.
Flávio Bolsonaro buscava inicialmente uma mulher para compor a chapa, tendo considerado nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a economista e ex-conselheira do banco Digimais Daniela Marques (Republicanos). No entanto, nenhum partido aceitou compor a chapa com Flávio Bolsonaro, o que levou o senador a optar por um nome do próprio PL. A escolha recaiu sobre Gaspar, que foi relator da CPI mista do INSS. Na representação ao STF, Soraya e Lindbergh acusam Alfredo Gaspar de ter mantido relações sexuais com uma adolescente de 13 anos, situação enquadrada pela lei como estupro presumido.
A representação afirma que a menina teria engravidado e dado à luz uma criança, hoje com 8 anos, registrada no nome da mãe da adolescente. A acusação sustenta ainda que Gaspar teria pago R$ 400 mil para não ser denunciado. Gaspar nega o crime. Segundo o site "Congresso em Foco", o deputado divulgou um vídeo com a suposta criança fruto do estupro. "A mulher desmente que seja filha de Alfredo Gaspar e afirma que seu pai na realidade seria o primo do parlamentar, e que seu nascimento foi fruto de uma relação consensual que não vingou", diz o site.
Em 23 de abril, Gaspar afirmou ter doado seu material genético à Polícia Científica de Alagoas para a realização de um teste de paternidade com análise de DNA. O deputado declarou ser o "maior interessado" na condução das investigações. "O maior interessado na instauração do inquérito policial sou eu", declarou. "As investigações policiais irão provar os crimes dos quais fui vítima e robustecer minhas denúncias contra os parlamentares criminosos." – Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio Bolsonaro Gaspar é ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas. Como deputado, estava filiado ao União Brasil, mas migrou para o PL com o objetivo de concorrer ao cargo de senador por Alagoas. A composição da chapa de Flávio Bolsonaro com um parlamentar investigado por crime grave coloca o candidato em posição delicada, especialmente diante da possibilidade de uma decisão judicial sobre o inquérito ocorrer no meio do processo eleitoral.