Garota Evellyn Jasmin foi assassinada, conclui inquérito da Polícia Civil de MG

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Polícia Civil conclui inquérito e aponta que Evellyn Jasmim foi morta um dia após o sequestro em Sabará; pai é apontado como mandante
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu nesta quinta-feira (27) o inquérito sobre o desaparecimento de Evellyn Jasmim Machado Acácio, de 8 anos, apontando que a menina foi assassinada no dia seguinte ao seu sequestro, ocorrido em junho de 2023. O caso ganhou repercussão porque Evellyn desapareceu no mesmo dia em que sua mãe, Ketlyn Oliveira, e uma amiga dela, Ana Raquel, foram mortas em um salão de beleza localizado em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com as investigações, Evellyn Jasmim foi mantida em cativeiro por algumas horas em um sítio na região de Ravena, em Sabará, antes de ser assassinada. Os suspeitos decidiram matar a criança por temerem que ela os reconhecesse, já que convivia com eles. Apesar do longo período de investigação, o corpo da menina não foi localizado, mas os suspeitos confessaram toda a dinâmica do crime em depoimento.
Quatro pessoas foram indiciadas ao fim da investigação, entre elas o pai de Evellyn Jasmim, Sildirley Silva Acácio Machado, que se encontrava preso à época dos crimes. Segundo a apuração, ele mantinha um relacionamento conturbado com a mãe da menina e foi apontado como o mandante do crime. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e a Justiça já recebeu a denúncia. A investigação integra a Operação Indefessus e percorreu cerca de 18 mil quilômetros em busca de Evellyn Jasmim ao longo de três anos. Os policiais passaram por 31 municípios mineiros e outros quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Bahia. Durante esse período, os investigadores conseguiram reconstruir a dinâmica do crime, identificar os veículos utilizados pelos suspeitos e localizar o sítio onde a menina foi mantida em cativeiro.
Segundo a investigação, Ketlyn Oliveira era o verdadeiro alvo dos criminosos. Após o fim do relacionamento com Sildirley Silva Acácio Machado, ela passou a fazer denúncias contra ele e os outros três envolvidos no crime. Conforme a polícia, essas denúncias motivaram uma série de ações para tentar intimidá-la e fazê-la parar. Inicialmente, Sildirley teria determinado que Ketlyn fosse sequestrada e tivesse as pernas quebradas, com o objetivo de interromper as denúncias. Como ela continuou procurando as autoridades, o plano teria evoluído. A polícia informou ainda que Sildirley passou a monitorar a vítima e instalou um dispositivo no carro dela para acompanhar seus deslocamentos. Segundo os investigadores, ele teria tido um sonho em que precisava "cegar" Ketlyn para que ela parasse de fazer as denúncias.
O crime teve início dentro do salão de beleza de Ana Raquel, em Sabará. Os criminosos foram ao local para abordar Ketlyn e retirá-la do estabelecimento. Ao entrarem, Ana Raquel tentou intervir e acabou atingida na cabeça. A situação saiu do controle e os criminosos retiraram as três mulheres do salão. Ketlyn foi baleada durante a ação e tentou escapar do veículo em que era levada, mas os criminosos voltaram e atiraram contra ela. A mulher foi encontrada morta e sem documentos. Os suspeitos seguiram com Evellyn Jasmim e Ana Raquel no carro e, durante o trajeto, trocaram de veículo, colocaram a menina no novo automóvel e abandonaram o primeiro carro com o corpo da proprietária do salão. O corpo de Ana Raquel foi encontrado posteriormente dentro de um veículo na BR-040, em Contagem, na Grande BH.
Após o ataque, os criminosos levaram Evellyn Jasmim para um sítio na região de Ravena, em Sabará, onde a menina permaneceu por algumas horas. Os sequestradores chegaram a tentar entrar em contato com o pai da menina, que estava preso, mas os telefones aos quais ele tinha acesso dentro da prisão foram recolhidos pelos agentes penitenciários. Sem saber o que fazer e temendo que Evellyn Jasmim os reconhecesse por conviver com eles, os criminosos decidiram assassiná-la. Em depoimento, os suspeitos informaram que colocaram o corpo da criança em uma lona e o descartaram em um local de mata fechada. Eles permaneceram algum tempo no local, retornaram ao sítio e depois seguiram de volta para Belo Horizonte. As buscas pela menina foram realizadas ao longo de toda a investigação, mas, segundo a polícia, devido ao longo período decorrido, não foi possível encontrar os restos mortais da vítima. Ao final, o pai de Evellyn Jasmim e os outros dois suspeitos foram indiciados por três homicídios qualificados, sequestro e cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e associação criminosa. Um dos investigados morreu em 2024.