Com ameaças do Irã, tráfego no Estreito de Ormuz cai ao menor nível em 3 meses

Navios no Estreito de Ormuz
Apenas dois petroleiros cruzaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira, o menor número diário desde maio, em meio a tensões com o Irã
O tráfego de navios de carga pelo Estreito de Ormuz registrou seu menor nível em três meses na segunda-feira, com apenas dois petroleiros atravessando a importante via navegável. Ambas as embarcações entraram no Golfo Pérsico, segundo dados de rastreamento marítimo, marcando o menor número diário de navios desde o início de maio. O número ficou bem abaixo da média de 10 dias, que era de 14 embarcações.
De acordo com o rastreador de navios Kpler, um navio-tanque de gás de grande porte e um superpetroleiro de petróleo bruto entraram no estreito vindos do Golfo de Omã. Vale ressaltar que os números podem sofrer alterações, já que alguns navios desligaram seus transponders de navegação durante a travessia — no domingo, por exemplo, sete navios de todos os tipos haviam cruzado o estreito.
Dados provisórios da empresa de rastreamento marítimo Vortexa indicaram que o tráfego de petróleo na segunda-feira foi de 5 milhões de barris por dia. Em uma média móvel de sete dias, o tráfego pelo Estreito de Ormuz situava-se em cerca de 6 milhões a 7 milhões de barris por dia até 23 de agosto.
A tensão na região se intensificou após o Irã afirmar que 45 petroleiros violaram suas regras de passagem pelo estreito, ameaçando tomar medidas contra embarcações que realizem transferências de navio para navio com eles. A declaração ocorre seis meses após o início do conflito na região.
"Resta saber como a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã poderá garantir o cumprimento das regras por parte dessas embarcações não conformes", disse Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa. "Se o conflito na região se intensificar ou se embarcações forem atacadas no ponto de estrangulamento, o tráfego pelo Estreito de Ormuz poderá ser afetado."
Antes do conflito, o Estreito de Ormuz transportava cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo bruto e gás natural liquefeito, evidenciando a relevância estratégica da via para o mercado energético mundial.
O Irã também prometeu retaliar contra a ampliação das sanções dos EUA, que visam cortar sua linha de vida econômica, ao mesmo tempo em que expressou confiança de que seus principais parceiros comerciais resistiriam à campanha de pressão de Washington. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, divulgou as medidas na segunda-feira, mas não chegou a impor as sanções mais severas. Os países que continuarem a comercializar com o Irã correm o risco de perder o acesso ao sistema financeiro baseado no dólar, alertou ele.
No outro lado da Península Arábica, trinta embarcações passaram por Bab el-Mandeb na segunda-feira, outro importante ponto de estrangulamento, segundo dados da Kpler. Esse número ficou em linha com a média de 10 dias, em comparação com 28 travessias registradas no domingo, sugerindo que o impacto da tensão regional ainda se concentra principalmente no Estreito de Ormuz.