Estreito de Ormuz pode ser reaberto após entendimento entre Irã e Omã

vista de satélite do Estreito de Ormuz, localizado no Oriente Médio
Irã e Omã chegam a entendimento sobre rota de navegação no Estreito de Ormuz após dois meses de negociações bilaterais
Cerca de dois meses após o início das negociações, Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre uma rota de navegação no Estreito de Ormuz, que passará a ser gerida pelos dois países. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (5/8) pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, sinalizando um avanço significativo nas conversas bilaterais entre Teerã e Mascate. Segundo o governo iraniano, uma declaração conjunta entre os dois países deve ser divulgada em breve, desde que nenhuma nação terceira interfira no processo.
"As coordenadas geográficas da rota pretendida foram acordadas e, desde que algumas partes terceiras não interfiram neste processo, a declaração conjunta dos dois países, que inclui considerações e pontos principais acordados, está na fase de revisão e redação final", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã. Os termos do acordo ainda não foram tornados públicos.
A expectativa é de que o Irã controle a entrada de embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto Omã fique responsável pela administração da saída dos navios. Ainda não está claro se o sistema de pedágio implementado recentemente pelo governo iraniano continuará em vigor após o acordo. Horas antes dos avanços nas conversas entre Teerã e Mascate, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a via marítima seria reaberta "em breve", acrescentando que, caso contrário, o Irã poderia sofrer "consequências". Apesar de Trump alegar que negociadores norte-americanos participavam das discussões, o Irã sempre rejeitou essa afirmação, sustentando que as negociações ocorreram de forma estritamente bilateral, com Omã.
Desde o início do conflito entre EUA e Irã, o Estreito de Ormuz tornou-se um ponto central de disputa entre os dois países. Em retaliação aos ataques norte-americanos, forças iranianas bloquearam a via marítima, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Durante um período de cessar-fogo, o estreito chegou a ser reaberto, ainda que com algumas restrições, mas voltou a ser bloqueado no início de julho, quando as hostilidades entre EUA e Irã foram retomadas. O avanço nas negociações representa um passo relevante para a estabilidade da região e para o fluxo do comércio global de energia, embora os detalhes finais do acordo ainda estejam sendo definidos pelas partes envolvidas.