Durigan liga inflação à guerra no Oriente Médio

Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Cadu Gomes/VPR
Ministro da Fazenda afirma que preocupação do Banco Central com inflação vai além do fiscal e inclui conflitos globais
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (21) que a preocupação do Banco Central com a inflação vai além da questão fiscal do país. Segundo ele, o conflito no Oriente Médio também pesa nas análises da autoridade monetária, assim como os impactos que guerras ao redor do mundo têm sobre os preços e o abastecimento de insumos, como fertilizantes. Em entrevista à Rádio Metrópole da Bahia, Durigan foi direto ao ponto: "Quando o Banco Central brasileiro diz que está preocupado com preço, com inflação, não é só com o fiscal, não é só com a condição fiscal do País, é com a guerra no mundo. Porque não é só o Banco Central brasileiro, os bancos centrais do mundo todo olham para a guerra."
O ministro também fez críticas ao governo anterior de Jair Bolsonaro, atribuindo parte da alta de preços ao apoio do bolsonarismo a conflitos internacionais. "Então não é o governo que gasta, é a guerra, sempre pelo governo dos EUA, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no País", declarou Durigan. Além disso, Durigan avaliou que o cenário geopolítico global passou por transformações profundas com a ascensão de Donald Trump nos Estados Unidos, afetando acordos internacionais construídos no pós-guerra. "A gente tinha a declaração dos direitos humanos, o prestígio dos direitos humanos, do diálogo, dos órgãos multilaterais. Então, nós estamos vivendo uma nova realidade de sentimento político", afirmou o ministro.
Para Durigan, esse novo contexto político mundial impõe desafios adicionais ao controle da inflação no Brasil, uma vez que fatores externos, como guerras e instabilidades geopolíticas, influenciam diretamente os preços de commodities e produtos essenciais no país.