Ministro diz que reciprocidade com os EUA pode não ser adotada pelo Brasil

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro da Fazenda explica que processo aberto pelo Brasil busca ouvir empresários antes de qualquer decisão sobre tarifas dos EUA
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (14) que uma medida de reciprocidade do Brasil em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros pode ou não ser adotada, mesmo com a abertura formal do processo pelo governo brasileiro. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas, na qual o ministro explicou os próximos passos do processo.
Segundo Durigan, o início do processo tem como objetivo principal ouvir as partes interessadas no tema. Isso inclui a realização de oitivas com o empresariado brasileiro e de outros países para avaliar os impactos gerados pelas tarifas americanas. "O processo de reciprocidade num país que é sério e que quer ouvir quem é afetado pela reciprocidade demanda oitiva de eventuais interessados e eventuais impactados por uma medida de reciprocidade que pode vir ou não a ser adotada no futuro", disse o ministro.
Durigan também destacou que o cenário global atual torna ainda mais relevante essa escuta ativa. "Então, como a gente percebe que o mundo hoje anda muito fechado para esse tipo de participação, o primeiro impacto do processo de reciprocidade é a gente poder colher, em especial do empresariado brasileiro, mas também do empresariado exterior, quais seriam os impactos e as preocupações que eles têm com eventuais medidas de reciprocidade", acrescentou.
Na quinta-feira, o governo brasileiro havia anunciado oficialmente o início do processo de reciprocidade em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As tarifas foram implementadas pelo país americano no mês passado, atingindo parte das exportações brasileiras com alíquotas que chegam a 37,5% para alguns produtos. A justificativa apresentada pelos EUA inclui alegações de práticas comerciais injustas e de legislação considerada insuficiente no combate ao trabalho forçado, entre outras questões. Assim, enquanto o processo segue em andamento, Durigan deixou claro que a adoção de medidas concretas de reciprocidade ainda depende dos resultados das consultas e das avaliações que serão realizadas ao longo do processo.