Durigan culpa juros altos pelo endividamento público

Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Cadu Gomes/VPR
Ministro da Fazenda descarta crise fiscal e aponta taxa de juros elevada como principal causa do endividamento do país
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o cenário fiscal do Brasil está sob controle e responsabilizou as altas taxas de juros pelo endividamento público do país. Em entrevista à Globonews, o ministro defendeu as ações do governo para zerar o déficit primário e descartou qualquer sinal de crise nas contas públicas. Durigan foi enfático ao afirmar que "não há descontrole" e nem "crise fiscal" no Brasil, apontando os juros elevados como o principal obstáculo para a estabilização das finanças públicas. "As taxas de juros são as responsáveis pelo endividamento público", declarou o ministro, reforçando a necessidade de reduzir esse patamar para conter o crescimento da dívida.
O ministro também destacou a importância do esforço fiscal para alcançar uma redução sustentável dos juros: "Precisamos trabalhar para reduzir a taxa de juros, com esforço fiscal, para que diminua o endividamento do país ou ao menos estabilize para projetar uma situação fiscal mais estável de médio e longo prazo." No campo da política monetária, o Banco Central cortou a taxa Selic pela quarta vez consecutiva, reduzindo-a para 14% ao ano. A continuidade do ciclo de reduções leva a taxa básica de juros ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25% ao ano.
O novo corte de 0,25 ponto percentual ocorre em um momento de arrefecimento da inflação, apesar das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. No entanto, os dados fiscais recentes mostram desafios concretos pela frente. O governo central registrou um déficit primário recorde de R$ 48,178 bilhões em junho. O resultado, que considera a situação do governo central, estados, municípios e estatais — à exceção da Petrobras —, representa o maior déficit para o mês desde junho de 2021, quando as perdas somaram R$ 65,508 bilhões. Durigan segue defendendo que o caminho para a estabilidade fiscal passa pela combinação entre disciplina nas contas públicas e a redução gradual dos juros, estratégia que, segundo ele, permitirá ao Brasil projetar um cenário mais equilibrado no médio e longo prazo.