Trump diz que EUA vão declarar Estreito de Ormuz como território americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Official White House Photo by Jo
Donald Trump declarou que os EUA vão assumir o Estreito de Ormuz como território americano, mas especialistas apontam que a situação é um impasse
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (14) que Washington irá declarar o Estreito de Ormuz como território americano.
A declaração foi feita durante um discurso em visita a instalações de forças de segurança no Condado de Nassau, em Nova York, e ocorre em meio à guerra entre EUA e Irã, que tem provocado a redução dos estoques globais de petróleo e a paralisação do tráfego marítimo na estratégica via navegável.
Quase seis meses após o início do conflito, o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado, enquanto as duas potências disputam o controle da área.
Donald Trump tem insistido repetidamente que o estreito — por onde o petróleo flui de países como a Arábia Saudita e o Iraque para o restante do mundo — está sob controle americano.
"Eles não têm o controle. Nós temos controle total. Nós somos os donos daquilo e, em algum momento, talvez eles façam algo e acabem sendo destruídos", disse Donald Trump a repórteres nesta quarta-feira (12).
"No momento, estamos em uma posição muito boa."
Mais cedo naquele dia, ele afirmou que a Marinha dos EUA havia varrido o estreito em busca de minas.
No entanto, o Irã afirma que não reabrirá totalmente o estreito até que os EUA atendam às suas condições.
Especialistas apontam que a realidade é muito mais complexa do que a declaração de controle feita por Donald Trump: navios temem por sua segurança em meio a ataques no estreito, e há a ameaça constante de retomada de confrontos entre as duas potências.
O bloqueio naval dos EUA ao Irã segue em vigor, impedindo embarcações de ir ou vir de qualquer porto iraniano, seja dentro ou fora do estreito.
A medida sufocou o fluxo de caixa do Irã e fechou o estreito para o comércio marítimo iraniano.
Ainda há algum tráfego passando pelo Golfo Pérsico em direção a destinos não iranianos, mas esse movimento representa apenas uma fração dos níveis anteriores à guerra.
Apenas 14 embarcações cruzaram o estreito na terça-feira (11), em comparação com cerca de 120 navios que o atravessavam diariamente antes do conflito.
Isso ocorre, em grande parte, porque "poucas empresas de transporte marítimo e seus navios confiam que os EUA podem garantir uma passagem segura pelo estreito", afirmou Carl Schuster, ex-diretor do Centro de Inteligência Conjunta do Comando do Pacífico dos EUA.
Esses receios não são infundados: apenas na semana passada, pelo menos quatro embarcações pertencentes à Abu Dhabi National Oil Company foram atacadas por drones e mísseis no estreito, segundo a empresa.
Esses ataques elevam os custos de seguro, desencorajando ainda mais as empresas de transporte marítimo enquanto a guerra continua.
Além de ataques diretos, o Irã também pode assediar navios sobrevoando-os com drones e realizando "vigilância direcionada do transporte marítimo comercial", informou a UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido) em comunicado recente.
Desde o início da guerra, houve 54 relatos de danos a embarcações no estreito — ou no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã, situados em suas extremidades —, segundo a UKMTO, órgão vinculado à Marinha Real Britânica que monitora a segurança marítima na região.
Também foram confirmadas três perdas totais de embarcações e 13 ocorrências de quase colisão.
"Enquanto não se puder garantir o uso seguro do estreito, não se tem controle total", disse Schuster.
O analista militar da CNN e coronel reformado da Força Aérea, Cedric Leighton, concordou que nenhum dos lados detém controle total no momento.
"O que temos aqui é, na verdade, um impasse", afirmou.
"Devido à proximidade das forças dos EUA, ao bloqueio e à capacidade e disposição do Irã de, pelo menos, ameaçar o uso de minas e de pequenas embarcações para assediar navios... nenhum dos lados consegue exercer controle total sobre o estreito", acrescentou.
Enquanto Donald Trump insiste na narrativa de domínio americano sobre o Estreito de Ormuz, especialistas militares e dados sobre o tráfego marítimo indicam que a situação permanece longe de uma resolução, com impactos diretos sobre o fornecimento global de petróleo e a segurança das rotas comerciais na região.