Dólar abre agosto em queda com petróleo

O Dólar recuava 0,16% no primeiro pregão de agosto, influenciado pela queda do petróleo, sinais de trégua no Oriente Médio e expectativas de juros menores
O Dólar iniciou o mês de agosto em leve queda, com investidores atentos à definição da nova taxa básica de juros pelo Banco Central e aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Às 9h05 do primeiro pregão do mês, a moeda norte-americana recuava 0,16%, sendo negociada a R$ 5,062. A cotação do Dólar comercial caiu desde a abertura do primeiro pregão de agosto, movimento alinhado ao recuo do preço do petróleo, aos sinais de possível trégua no conflito do Oriente Médio e às expectativas de inflação e juros menores para o ano.
O Dólar encerrou julho com queda de 1,81% ante o real, representando a primeira variação mensal negativa da moeda desde abril, quando recuou 4,38%. Durante o período, a divisa chegou a se aproximar de R$ 5,20 no fim de junho. Apesar das oscilações recentes, o Dólar ainda acumula perda de 7,64% no acumulado do ano.
Os analistas consultados pelo BC (Banco Central) reduziram, pela quinta semana consecutiva, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026, de 5,12% para 5,03%. Ainda assim, as estimativas permanecem acima do limite da meta definido em 4,5% pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Alinhado à expectativa de inflação menor, o mercado também revisou para baixo a projeção para a taxa Selic ao final deste ano, de 14% ao ano para 13,75% ao ano. Para os anos seguintes, as previsões se mantêm em 12% ao ano para 2027, 10,5% ao ano para 2028 e 10% ao ano para 2029.
As expectativas do mercado indicam que o Copom (Comitê de Política Monetária) deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14% ao ano na reunião prevista para a próxima quarta-feira. Se confirmado, o movimento representará a quarta queda consecutiva de igual magnitude. Vale lembrar que a taxa básica permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, por oito meses consecutivos.
Os preços do petróleo Brent, referência internacional para o combustível, recuaram mais de 5% na manhã desta quinta-feira. A queda expressiva foi impulsionada pelos indícios de trégua no conflito do Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na véspera que as negociações com o Irã seriam retomadas nesta data. O cenário externo, combinado às perspectivas de afrouxamento monetário no Brasil, contribuiu para o recuo do Dólar no início de agosto, mantendo os mercados atentos aos próximos passos do Banco Central e à evolução das tensões geopolíticas.