Mulher é resgatada com vida após 35 horas sob escombros na Colômbia

Bombeiros e equipes de resgate retiram a sobrevivente Daniela Largo para fora dos escombros de um prédio em Pereira, Colômbia Imagem: David Salazar
Daniela Largo foi retirada com vida após mais de 35 horas soterrada, enquanto o país contabiliza 216 mortos no terremoto de magnitude 7,4
Socorristas e voluntários colombianos resgataram com vida, na noite de terça-feira (11/8), uma mulher de 32 anos que estava soterrada sob os escombros de um prédio desabado.
O resgate foi marcado por gritos e aplausos, enquanto equipes de emergência exaustas continuavam a busca por mais sobreviventes do terremoto mais intenso registrado na Colômbia neste século.
Daniela Largo passou mais de 35 horas sob as ruínas de um hotel e foi retirada em uma maca dos escombros, em meio a gritos de alegria de equipes de resgate e familiares.
O terremoto de magnitude 7,4 sacudiu a região cafeeira colombiana na manhã de segunda-feira, deixando ruas cobertas de vidros, pedaços de muros e cabos pendurados, enquanto os trabalhos de resgate avançavam.
"No momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação", disse à AFP a mãe de Daniela Largo, Sandra Milena Pérez, em Pereira.
Ela explicou que um vizinho ouviu gritos de socorro e acionou voluntários e socorristas profissionais para tentar salvar a filha.
As autoridades revisaram o número de mortos para 216, após o governo de Valle del Cauca e a prefeitura de Cali corrigirem os dados anteriores.
Em Pereira e Cali, as cidades mais afetadas, famílias dormem em parques com medo dos tremores secundários. Quadras inteiras foram reduzidas a escombros.
"Com as mãos, com luvas, trabalhamos (...) É triste ver que o tempo está passando para encontrar gente com vida", disse Pablo César Ruiz, voluntário em Cali.
Busca incansável
Beatriz Arcos ficou presa por quase uma hora sob os escombros de seu apartamento, em Cali.
Uma parede desabou sobre ela, que foi atendida no hospital e voltou para ver o que restou do prédio de três andares onde morava.
"É tão rápido que nem dá para explicar. Meu marido sofreu, minha mãe feriu as pernas", contou Beatriz, ainda com as costas doloridas.
Sentada em frente ao prédio, ela aguardava que seu filho conseguisse salvar documentos e algum pertence.
As equipes de emergência trabalhavam com guindastes, cães e máquinas, enquanto voluntários formavam correntes humanas para remover os escombros manualmente.
Várias instalações hospitalares foram danificadas e muitos pacientes foram atendidos na calçada. As escolas públicas permaneceram fechadas.
Os moradores se uniram aos bombeiros com picaretas e pás, cavando com as próprias mãos entre os escombros.
Em alguns momentos, as equipes de resgate paravam para escutar algum sinal de vida. Um simples assobio de resposta era suficiente para animar as brigadas, explicou o voluntário Andrés Felipe Mejía.
Foi dessa forma que chegaram até um homem e seu neto bebê em um prédio desabado, embora a mãe da criança continuasse presa.
O presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse em 7 de agosto, declarou estado de emergência no país e visitou as cidades mais afetadas.
"Perdemos tudo"
Localizada no turístico Eixo Cafeteiro, Pereira foi a segunda cidade mais afetada, com 72 mortos.
A maioria dos seus mais de 480 mil habitantes ficou sem acesso à energia elétrica, passando a noite ao relento por medo dos tremores secundários ou porque suas casas estavam muito danificadas.
"É coisa de filme (...) meio de terror porque está tudo escuro, mas também é muito bonito ver como as pessoas se unem", disse Daniel Hernández, tatuador e voluntário de 31 anos.
Um abrigo improvisado foi instalado em um parque. Nos supermercados, faltavam água e alimentos.
"Perdemos tudo, mas estamos vivos", disse John Tabasco, garçom de 23 anos, ao lado de sua mulher e de seu filho de sete meses.
"Foram momentos de medo, pânico, psicose", acrescentou.
Em meio à destruição, muitos se mobilizaram para ajudar. Milhares de pessoas levaram água, comida e suprimentos aos bairros afetados, enquanto longas filas se formaram diante dos centros de doação de sangue.
O epicentro do terremoto foi localizado perto de San José del Palmar, em Chocó, uma região pobre de difícil acesso devido aos danos nas rodovias.
Durante visita a Pereira na terça-feira, De la Espriella anunciou ajuda aos desabrigados, incluindo subsídios de moradia.
O tremor evoca a tragédia do terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na zona cafeeira.
O desastre também afetou seis aeroportos, dois dos quais permanecem fechados para voos comerciais.
O governo dos Estados Unidos ofereceu ajuda de 15,5 milhões de dólares, enquanto a União Europeia anunciou a liberação de dois milhões de euros para apoiar a Colômbia.