Republicanos recusa novo pedido de Cleitinho

Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução
Marcos Pereira recusa novo pedido de Cleitinho para concorrer ao governo de Minas após série de adiamentos e reviravolta horas após vídeo de desistência
O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, indicou que não deve acatar o pedido do senador Cleitinho Azevedo de concorrer ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Um dia após divulgar um vídeo anunciando sua desistência da disputa, o senador voltou atrás e pediu, novamente, para concorrer durante a convenção nacional do Republicanos, realizada em Brasília na terça-feira (4/8). No encontro, Pereira rebateu a postura de Cleitinho, que já afirmou que tentará convencer o presidente do partido. Durante a convenção, Marcos Pereira relembrou os sucessivos adiamentos do senador para tomar uma decisão sobre a candidatura, incluindo um pedido de prazo até o final da Copa do Mundo.
O presidente do Republicanos também reconheceu o momento pessoal difícil vivido por Cleitinho, cujo irmão mais novo, Matheus Azevedo, faleceu recentemente, fato que pesou nos prazos do parlamentar. "Cleitinho não foi e voltou somente nessas últimas semanas. O senador Cleitinho teve inúmeras oportunidades de se declarar candidato ao governo do estado de Minas Gerais. Teve todo o apoio deste presidente estadual e dessa mesa diretora aqui presente", disse Pereira. Sobre o luto do senador, Pereira foi compreensivo, mas firme: "Perder um ente querido não é fácil. E em reuniões, o senador Cleitinho sempre pediu uma dilação de prazo, e nós compreendemos a estratégia dele. E numa das últimas vezes, ele pediu prazo até o final da Copa. E nós negociamos com ele. Não queríamos que isso acontecesse, mas aconteceu". Por conta do falecimento do irmão, Cleitinho também faltou à convenção estadual do Republicanos, realizada no dia 25 de julho em Belo Horizonte. Para o partido, a ausência do senador no encontro foi determinante para a decisão de não levar a candidatura dele adiante.
O presidente do Republicanos também fez uma avaliação sobre o papel de Cleitinho no processo: "O Cleitinho sempre foi o candidato de todos: do Republicanos, do PL, do Valdemar, do Flávio Bolsonaro, dos presidentes nacionais do União e PP. Todos declararam que apoiam o Cleitinho. Talvez ele não tenha sido o candidato de si mesmo. Talvez não tenha assumido o processo que deveria assumir". Marcos Pereira também comentou sobre o vídeo gravado na segunda-feira ao lado de Cleitinho, no qual o senador anunciou sua desistência da candidatura. Na publicação, Cleitinho chorou, pediu perdão e afirmou não ter condições emocionais de entrar na disputa em função do falecimento do irmão, Matheus Azevedo. O anúncio foi feito após reunião do senador com a cúpula do Republicanos, em Brasília.
Segundo Pereira, a reviravolta de Cleitinho ocorreu minutos após a gravação do vídeo: "Exatos 10 minutos depois desse vídeo, depois que recebeu duas ligações, ele me procura dizendo: agora quero gravar outro vídeo dizendo que sou candidato. Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Eu não posso, senador Cleitinho. Eu seria irresponsável com o povo de Minas ao colocar o estado nas mãos de uma pessoa que ora pensa uma coisa, 5 minutos depois pensa outra", argumentou Pereira. A situação coloca em xeque a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas Gerais em 2026, com o Republicanos sinalizando que a indefinição prolongada do senador inviabilizou sua indicação pelo partido.