CIA monta força-tarefa contra Cuba, diz jornal

Cidade de Havana, em Cuba - Foto: Norlys Perez
Segundo o "New York Times", a CIA criou uma força-tarefa para desestabilizar o governo cubano e pressionar por mudanças políticas e econômicas
O jornal "The New York Times" revelou que a CIA, a agência de espionagem americana, montou uma força-tarefa com o objetivo de desestabilizar o governo de Cuba. A iniciativa visa dividir a elite política da ilha e pressionar os cubanos a substituir líderes linha-dura por nomes mais pragmáticos, dispostos a negociar com os Estados Unidos e a implementar as mudanças políticas e econômicas exigidas por Donald Trump. Segundo fontes americanas ouvidas pelo "New York Times", a força-tarefa da CIA vai recrutar espiões e coordenar agentes de operações cibernéticas.
Os esforços da agência miram um país que há meses enfrenta uma grave crise de racionamento de energia. Em Havana, é o farol dos carros que ilumina as ruas, e das casas ecoa o protesto de uma população exausta. Só em 2026, já foram registrados sete apagões em todo o país, dois deles no início desta semana. Mesmo quando não há blecautes em escala nacional, quedas de energia ocorrem o tempo todo. "Estamos vivendo com uma hora e meia, três ou quatro horas de energia elétrica e, depois, passamos 24, 36 ou até 40 horas sem luz aqui na capital. Algo inimaginável em qualquer outro lugar do mundo", relata um cubano.
A rotina da população é marcada pela adaptação forçada. Quando a luz volta no meio da madrugada, muita gente se levanta para aproveitar: carregar celulares, trabalhar ou cozinhar para os filhos. "Tenho dois adolescentes. Tento deixar comida pronta. Mas quando a luz vai embora é difícil, porque a comida só dura uma, duas noites", conta uma cubana. A rede elétrica cubana vem se deteriorando há décadas. O governo responsabiliza os Estados Unidos, que desde 1962 impõem um embargo econômico à ilha, o que dificulta a substituição de equipamentos antigos e aumenta o risco de panes nas usinas e distribuidoras.
Desde o início de 2026, a crise se aprofundou. Cuba tornou-se um dos focos da política externa americana, e os Estados Unidos passaram a interceptar navios que transportavam petróleo para a ilha. Trump também ameaçou impor tarifas contra países que vendessem o produto para Cuba, que depende desse petróleo para gerar energia. A jornalista americana Sarah Marslin, especializada em América Latina, visitou a ilha em maio para uma reportagem da revista "The Economist". Segundo ela, diante da crise, as autoridades têm desligado a rede elétrica em algumas regiões para poupar energia. "Você não vai encontrar nenhuma parte da ilha que está com todas as casas iluminadas, sempre vai ter uma boa parte da população que está sem força elétrica durante a noite, sem luz. Eu passei às 2h da madrugada, em uma carpintaria, onde tinha um carpinteiro que estava trabalhando porque de repente estava com a corrente e precisava aproveitar", conta Sarah Marslin.
Trump afirma que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional americana e acusa o governo cubano de apoiar grupos terroristas e países como o Irã, a Rússia e a China. Nesta quinta-feira (6), o governo americano anunciou novas sanções financeiras contra cinco empresas e oito cubanos acusados de facilitar a compra de equipamentos militares desses aliados. Sobre as motivações de Trump, Sarah Marslin avalia: "Acho que tem uma volta, um esforço de dominar o hemisfério, de querer ter um poder no Hemisfério Ocidental. Também pode ser que ele esteja com conflitos complicados em outras partes do mundo. Então, pode ser que ele esteja querendo uma vitória mais perto dos Estados Unidos para mostrar força que ele não está conseguindo em outras partes do mundo".
A revelação sobre a força-tarefa da CIA ocorre em meio a um cenário de pressão crescente dos Estados Unidos sobre Cuba, combinando sanções econômicas, bloqueio de petróleo e agora, segundo o "New York Times", operações de inteligência voltadas à desestabilização do governo da ilha.