Ceuta tem migrantes dormindo ao relento e mais de 80 migrantes mortos

Foto: Wikimedia Commons
Migrantes em Ceuta enfrentam superlotação e dormem em calçadas enquanto 73,5 mil já retornaram ao Marrocos
Migrantes que permaneceram em Ceuta, cidade autônoma espanhola, enfrentam condições precárias ao dormir ao relento em meio à crise migratória que se intensificou na região. Parte dessas pessoas tem passado as noites em áreas abertas próximas ao abrigo temporário de acolhimento, ocupando calçadas, valetas e até sacos de lixo ao redor do centro, conforme registrado pela agência Reuters em imagens. A superlotação no centro temporário para imigrantes em Ceuta obriga grupos a se acomodarem ao longo de meio-fios e em frente a prédios, com cobertores, mochilas, sacolas e calçados espalhados pelo chão.
Outro grupo passou a se concentrar em uma praia isolada da cidade, sob vigilância policial, com a polícia delimitando uma área na faixa de areia para manter os migrantes no local. O número de mortos na onda migratória subiu para 88 nesta segunda-feira. Milhares de pessoas entraram em Ceuta por terra e mar em um fluxo que teve início na quinta-feira, gerando uma crise de grandes proporções para as autoridades espanholas e marroquinas. Cerca de 73,5 mil migrantes deixaram Ceuta e retornaram ao território marroquino, segundo cálculo das Forças de Segurança do Estado, que abrange as pessoas que saíram após a onda migratória. O total estimado pode incluir pessoas que entraram e saíram mais de uma vez da cidade.
Segundo fontes do governo local, também há registros de pessoas que haviam chegado em dias anteriores. Pequenos grupos de imigrantes ainda se recusam a deixar o território espanhol. A polícia local afirma que é difícil calcular o número exato de pessoas nessa situação, mas grupos de três a cinco pessoas continuam sendo vistos na região. Cerca de 3.000 agentes de segurança permanecem destacados para monitorar a fronteira por tempo indeterminado. "Eles permanecerão enquanto for necessário", garantiu o delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez. Apesar da relativa calmaria na fronteira, os militares impediram uma tentativa de travessia a nado neste domingo. O tráfego de veículos na alfândega também deve aumentar em razão da Operação Travessia do Estreito, que adiciona mais um elemento de atenção para as autoridades locais. A situação em Ceuta segue sendo monitorada de perto pelas autoridades espanholas e marroquinas, enquanto os migrantes que ainda permanecem na cidade enfrentam condições cada vez mais difíceis à espera de uma solução definitiva.