Mais de 1,1 mil crianças desacompanhadas permanecem em Ceuta

Cerca de 1.100 crianças desacompanhadas permanecem em Ceuta enquanto Espanha destina 25 milhões de euros para atendê-las
Imigrantes menores de idade formaram fila em frente a uma delegacia de polícia em Ceuta, território autônomo da Espanha no norte da África, para serem registrados na quarta-feira (6). A cena ocorre em meio a uma crise migratória que deixou milhares de pessoas no enclave espanhol, mesmo após a maioria dos adultos ter retornado ao Marrocos. Segundo o governo local, cerca de 1.100 crianças e adolescentes desacompanhados que chegaram antes e durante o fluxo migratório ainda permanecem na cidade.
A grande maioria dos migrantes adultos já retornou ao Marrocos, mas esse grupo de menores segue em Ceuta sob proteção legal especial. Pela legislação espanhola, migrantes adultos podem solicitar asilo e, caso o pedido seja negado, ficam sujeitos a procedimentos de expulsão. Já os menores de idade têm proteção legal especial contra a deportação e devem receber assistência das autoridades espanholas. Na terça-feira (4), o governo da Espanha afirmou que está respeitando os direitos fundamentais dos menores e anunciou a destinação de 25 milhões de euros — cerca de R$ 146,5 milhões — para atendê-los. No entanto, jornalistas da agência de notícias Associated Press registraram crianças pedindo comida nas ruas de Ceuta.
Esses menores representam uma parcela significativa dos 3 mil a 5 mil migrantes que evitaram a expulsão e seguem no enclave, apesar das condições adversas que enfrentam. O centro de acolhimento da cidade, com capacidade para 600 pessoas, está completamente lotado, e a AP relatou escassez de alimentos entre os migrantes. Na quinta-feira (6), as autoridades espanholas atualizaram o número de mortos na travessia entre Marrocos e Ceuta, informando que o total já ultrapassa 100 vítimas. A situação evidencia a gravidade da crise humanitária que se instalou no enclave espanhol nas últimas semanas.