Casas Bahia registra prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre

Imagem: Divulgação/Grupo Casas Bahia
Casas Bahia registra prejuízo bilionário impulsionado pelo fechamento de 298 lojas e pela não conclusão de captação internacional
A Casas Bahia, uma das maiores varejistas do Brasil, registrou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, valor que representa um aumento de 18 vezes em relação aos R$ 555 milhões reportados no mesmo período do ano anterior.
O resultado foi divulgado em balanço publicado na madrugada de domingo e reflete os impactos de um amplo plano de redimensionamento da operação da empresa.
A companhia justifica o resultado pelo fechamento de 298 lojas e pela avaliação de um possível novo pedido de recuperação extrajudicial ou judicial.
Em termos ajustados, o prejuízo ficou em R$ 978 milhões no período.
"Diante de um ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador, a companhia avança para a fase 2 do plano de transformação, redimensionando sua operação, impactando o resultado líquido através de efeitos contábeis não recorrentes em R$ 9,1 bilhões, sem efeito caixa no trimestre", afirmou a Casas Bahia no balanço.
Nas notas explicativas, a empresa declarou que segue avaliando alternativas, incluindo a "reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial".
Vale lembrar que a Casas Bahia já passou por uma recuperação extrajudicial em 2024.
No período de abril a junho, a receita líquida cresceu 1,6%, atingindo quase R$ 7 bilhões.
Em contrapartida, as despesas com vendas, gerais e administrativas subiram 17%, chegando a R$ 1,8 bilhão.
A linha "outras despesas" saltou para R$ 3,5 bilhões, ante R$ 49 milhões no mesmo período do ano anterior.
O Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões, com a margem passando de 8,3% para 7,4%.
No mesmo trimestre, o caixa, incluindo recebíveis não descontados, totalizou R$ 2,9 bilhões.
O indicador de alavancagem financeira, medido pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, ficou em 0,5 vez, uma redução expressiva em relação às 2,2 vezes registradas no ano anterior.
A Casas Bahia iniciou em 2023 o chamado "plano de transformação", com medidas operacionais e financeiras voltadas para melhorar eficiência, rentabilidade e geração de caixa.
Diante da piora nas condições de mercado, a administração "acelerou e aprofundou" o plano, entrando em uma nova etapa focada na geração de caixa, redução do capital empregado e adequação da operação ao cenário atual.
A combinação de crédito mais restritivo, uma captação internacional não concretizada e um ambiente de consumo mais fraco acelerou a necessidade de reduzir o número de lojas.
A empresa explicou que o fechamento das unidades deficitárias visa melhorar as margens de contribuição e aumentar a participação do carnê nas lojas remanescentes.
"Com os fechamentos das lojas deficitárias, a média do parque de lojas remanescente aumentará em 1,4 p.p.", afirmou a companhia, acrescentando que a participação do carnê nas lojas remanescentes crescerá de 5,0 a 6,0 p.p..
A nova fase inclui ainda a reorientação dos canais digitais, adequação de estoques e capital de giro, redução estrutural de custos e busca por alternativas de estrutura de capital.
"A Fase 2 visa redimensionar a operação da companhia, priorizando canais e categorias de maior margem e rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento, de forma a fortalecer a geração de caixa livre e assegurar uma operação sustentável e autofinanciável", destacou a Casas Bahia.
No balanço, a companhia detalhou que entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026 realizou reuniões e roadshows com potenciais investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo uma potencial oferta subsequente de ações.
No entanto, uma operação de captação considerada crucial para o planejamento financeiro do segundo trimestre de 2026 não foi concluída após a desistência do investidor âncora, agravando o cenário financeiro da varejista.