Casas Bahia demitiu quase 12 mil funcionários desde 2023

Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Desde 2023, a Casas Bahia eliminou 28% do seu quadro de pessoal em meio a um plano de transformação e ao pedido de recuperação judicial
O Grupo Casas Bahia reduziu em quase 12 mil o número de funcionários desde 2023, ano em que a companhia lançou um plano de transformação voltado a cortar custos e tornar a operação mais eficiente. O movimento de redução de pessoal acompanhou o fechamento de lojas e a diminuição de investimentos. Mesmo após uma melhora dos indicadores operacionais em 2025, a empresa voltou a enxugar sua estrutura em 2026, antes de pedir recuperação judicial no domingo (16). A nova rodada de cortes, que atingiu cerca de 3.000 trabalhadores e veio acompanhada do anúncio de fechamento de 298 lojas, foi suspensa pela Justiça na terça-feira (18). O TRT-10 (Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região) determinou o restabelecimento provisório dos vínculos empregatícios e proibiu novas demissões coletivas sem negociação prévia com os sindicatos. A decisão, porém, não obriga a reabertura das unidades, e ainda cabe recurso.
Procurada, a Casas Bahia afirmou que o processo de reorganização envolve diferentes frentes e períodos, e que os documentos apresentados no pedido de recuperação judicial contemplam informações mais amplas sobre os desligamentos realizados. A varejista declarou que as medidas adotadas foram necessárias para adequar a estrutura ao novo dimensionamento da operação.
A Casas Bahia vinha reduzindo sua estrutura de forma contínua desde 2023, quando lançou o Plano de Transformação. Em junho daquele ano, o grupo contava com 41.866 funcionários; ao fim de 2023, o número havia caído para 37.958. O movimento prosseguiu em 2024, quando o quadro recuou para 31.739 pessoas, e em 2025, chegando a cerca de 30,3 mil. No primeiro trimestre de 2026, eram 30.306 funcionários e, três meses depois, 30.117. Em três anos, a companhia eliminou aproximadamente 11.749 postos de trabalho, o equivalente a 28% do quadro total. O enxugamento também atingiu as lojas. Em 2023, o número de unidades caiu de 1.127 para 1.078. Em 2025, foram fechadas outras 34 lojas, levando o total de 1.076 para 1.042.
Naquele mesmo ano, a companhia reduziu em 4.576 o número de funcionários, de 35.068 para 30.492, afirmando que as medidas buscavam retirar estruturas que não geravam valor e aumentar a eficiência operacional.
O enxugamento da estrutura veio acompanhado de uma melhora nos indicadores operacionais. A margem Ebitda ajustada passou de 6,1% no primeiro trimestre de 2024 para 9,8% no quarto trimestre de 2025. A Casas Bahia também registrou R$ 2,2 bilhões em fluxo de caixa livre da firma em 2025, valor R$ 1,2 bilhão acima do registrado no ano anterior. No entanto, a melhora operacional não foi suficiente para resolver todas as dificuldades financeiras. Os juros continuaram pesando sobre o resultado, agravados pela competição no setor. Em 2025, o CDI médio subiu de 10,8% para 14,3%, elevando o custo financeiro da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a empresa ainda apresentava melhora operacional, com Ebitda ajustado de R$ 597 milhões e fluxo de caixa livre de R$ 852 milhões.
Ao mesmo tempo, registrou prejuízo de R$ 1,06 bilhão, pressionado principalmente pelo resultado financeiro. A situação se agravou no segundo trimestre de 2026. A Casas Bahia informou que seguradoras restringiram o crédito comercial oferecido aos fornecedores e que uma tentativa de captação internacional não se concretizou. Com menos acesso a recursos, a empresa passou a comprar menos mercadorias. O estoque caiu de R$ 5,39 bilhões para R$ 4,23 bilhões entre o primeiro e o segundo trimestre, uma redução de R$ 1,16 bilhão. Foi nesse cenário que a companhia passou a falar em uma Fase 2 do Plano de Transformação, com o objetivo de adequar a estrutura ao menor volume de negócios, incluindo novas reduções de lojas e de pessoal. A empresa provisionou R$ 502 milhões para despesas de reestruturação, incluindo a reorganização do quadro de funcionários. Os cerca de 3.000 cortes anunciados em agosto não aparecem na evolução do quadro dos balanços porque ocorreram após o fechamento do segundo trimestre, junto ao fechamento das 298 lojas e ao pedido de recuperação judicial, que envolve uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.