Senador Carlos Viana articula CPMI do Lulinha

Carlos Viana — Senado
Senador Carlos Viana busca assinaturas no Congresso para criar comissão que investigue Lulinha por tráfico de influência
O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato ao Senado por Minas Gerais, anunciou nesta quinta-feira (20/8) que está em busca de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar a suposta atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na intermediação de interesses privados junto ao governo federal.
A declaração foi feita durante conversa com a imprensa após sabatina da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), realizada na Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). "Eu dei entrada em um pedido de CPMI, porque eu espero que a Câmara também participe dessa investigação, para que a gente possa esclarecer todos os detalhes sobre tráfico de influência e crime de responsabilidade por corrupção que estão sendo denunciadas junto ao Ministério da Saúde", declarou Carlos Viana ao ser questionado sobre o movimento.
Segundo Carlos Viana, as denúncias envolvem Lulinha, Roberta Luchsinger e um ex-integrante da estrutura da Presidência da República. O senador afirmou que haveria uma tentativa de "blindar" as investigações e que contratos de milhões de reais teriam sido discutidos. "Há uma tentativa clara de se blindar as investigações mais uma vez, de se impedir que a população brasileira conheça o que está por trás de toda essa história, o que está oculto", disse. Carlos Viana também criticou a possibilidade de o inquérito ser encaminhado para a primeira instância da Justiça, argumentando que tal mudança atrasaria as apurações.
O senador afirmou ainda que a direção-geral da Polícia Federal estaria sob suspeita de tentar substituir as equipes responsáveis pela investigação. Diante disso, o parlamentar defendeu que o Congresso conduza sua própria apuração. "Portanto, o Parlamento tem que fazer a nossa parte. Uma CPI pelo Senado ou uma CPMI é a nossa obrigação", afirmou. Questionado sobre a possibilidade de aprovação e instalação de uma CPI ou CPMI durante o período eleitoral, Carlos Viana sustentou que o calendário das eleições não deveria ser obstáculo para as investigações. "É uma necessidade, independentemente das eleições que venham ou não. Nós não podemos deixar que denúncias tão graves como essas caiam no esquecimento ou sejam blindadas", declarou.
O senador citou ainda sua participação na CPMI do INSS e relatou ter enfrentado resistência da base do governo durante os trabalhos da comissão. Segundo ele, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a continuidade de parte das investigações. "O que nós não podemos aceitar, independentemente de período eleitoral, a população brasileira quer saber quem é culpado e quem é inocente. Meu ponto de vista é a verdade", disse. Carlos Viana acrescentou que caberá a cada parlamentar decidir se assinará o requerimento. "Cada parlamentar tem que colocar a mão na sua consciência, porque é o povo brasileiro quem vai acompanhar e vai saber com clareza qual o posicionamento de cada um em relação a esse assunto", afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de a base do governo interpretar a iniciativa como uma tentativa indireta de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Carlos Viana negou motivação política e afirmou já ter sido alvo de críticas de governistas por sua atuação em investigações anteriores. "A base do governo vem me atacando deliberada e planejadamente desde que eu tive a coragem de colocar em pauta a quebra de sigilo fiscal, tributário, telefônico do irmão do presidente, do filho do presidente, dos lobistas que atuavam dentro do Palácio do Planalto, de gente da direita, de deputado, de senador. Eu não blindei ninguém nessa história", afirmou. O candidato também citou a Lava Jato e o Mensalão para defender o avanço das investigações. "Se tem eleição ou não, eu vou cumprir com a minha obrigação. Eu estou propondo, espero que cada parlamentar assine e colabore na investigação", disse.
O requerimento apresentado por Carlos Viana cita informações divulgadas a partir de investigações da Polícia Federal sobre negociações envolvendo o mercado de cannabis medicinal. O documento menciona uma minuta de contrato para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol que teria sido encaminhada por Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo o requerimento, a negociação não teria sido concretizada. O documento também aborda a relação entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Camilo Antunes. Roberta afirmou à Polícia Federal que apresentou Lulinha ao empresário, mas negou que o filho do presidente tenha prestado serviços ou recebido valores relacionados à regulação do mercado de canabidiol.
A defesa de Lulinha também nega irregularidades. O requerimento ressalta que a eventual criação da CPMI não significaria antecipação de responsabilidade. Segundo o texto, o objetivo seria reunir documentos e depoimentos para esclarecer a participação de cada envolvido, além de verificar se houve pagamentos, promessas de vantagens ou utilização indevida de relações pessoais para acesso à estrutura do governo. Junto com o documento, Carlos Viana divulgou um vídeo em que afirma pretender mobilizar eleitores para pressionar senadores a aderirem ao requerimento. "Senador que não assinar vai ter que explicar o motivo para você, que é o eleitor brasileiro", afirmou.