Caiado defende anistia para invasores do 8 de janeiro

Lula Marques/ Agência Brasil
Candidato à presidência pelo PSD reafirma que anistia aos envolvidos no 8 de janeiro seria prioridade em seu eventual mandato
O candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD) reafirmou sua intenção de promover a anistia das pessoas envolvidas nas invasões do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de janeiro de 2023. Em entrevista à Globonews nesta sexta-feira (7), ele confirmou que essa seria uma das primeiras medidas do seu eventual mandato. O médico defendeu que a medida é necessária para pacificar o país e reduzir a polarização política do cenário atual. Para ele, a partir dessa iniciativa, seria possível redirecionar o debate público para temas que considera mais relevantes. "Essa medida é uma medida que tem o sentido de pacificar o país. Nós não podemos mais conviver com o que estamos convivendo. Eu tenho a consciência absoluta que no momento que eu promover a anistia, esse assunto sai da pauta e vamos viver outro momento, um momento de produção, desenvolvimento, de pautas que sejam relevantes," explicou Caiado.
Ao ser questionado sobre pesquisa do Datafolha que indica que a maior parte da população brasileira é contrária à anistia, Caiado manteve sua posição. Ele comparou a controvérsia em torno do tema com a elegibilidade do presidente Lula (PT) após condenações em duas instâncias, posteriormente anuladas. "Eu respeito a pesquisa que foi feita. Se você fizer outra pesquisa, ela vai dizer que 50% da população não concorda que o Lula tivesse sido absolvido diante de tantas denúncias. Então, se você buscar essa pauta, ela vai ter isso aí (um resultado polêmico). Esse processo precisa ser pacificado no Brasil. Se nós não avançarmos, o Brasil não tem caminho. Nós estamos diante de um colapso. Hoje, saiu um novo índice: 82% da população está endividada." Caiado acrescentou que a anistia não seria a única proposta dos seus primeiros dias como chefe do Executivo. Segundo ele, outras iniciativas também seriam encaminhadas, relacionadas ao combate ao crime organizado, à reforma administrativa e à reforma política.
Aos 76 anos, Caiado é um dos nomes mais experientes da direita brasileira, reconhecido por defender os interesses dos proprietários rurais e por um longo histórico de oposição ao PT no Congresso Nacional. Médico especializado em ortopedia, ele acumula cinco mandatos como deputado federal por Goiás, um como senador e dois como governador do mesmo estado. Natural de Anápolis (GO), o político ganhou notoriedade na década de 1980 como presidente da União Democrática Ruralista, no contexto das discussões que resultaram na Constituição Federal de 1988.
No ano seguinte à promulgação da Carta Magna, Caiado chegou a disputar a Presidência da República, obtendo apenas 0,72% dos votos. Após 37 anos, ele retorna ao pleito buscando se consolidar como terceira via em relação a Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), que lideram as principais pesquisas. Com Gilberto Kassab (PSD) como vice de chapa, Caiado tem a segurança pública como principal bandeira da candidatura. Ele defende a equiparação das facções criminosas brasileiras a organizações terroristas e a redução da maioridade penal para crimes específicos. Na área fiscal, o candidato é crítico do governo Lula e propõe a estabilização da dívida pública por meio da revisão de benefícios tributários, mantendo a capacidade de investimento do Estado.