Bolsa abre estável apesar da exclusão da Brakem

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Dólar abre estável a R$ 5,16 enquanto Braskem é excluída dos índices da B3 após pedido de recuperação de R$ 54 bilhões
O dólar abriu a sessão desta terça-feira próximo à estabilidade, cotado a R$ 5,16, em um cenário marcado pela queda nos preços do petróleo no exterior e uma agenda econômica sem grandes eventos. Na Bolsa brasileira, o destaque ficou por conta dos impactos do pedido de recuperação extrajudicial bilionário da Braskem, que movimentou os setores petroquímico e industrial. Nos primeiros minutos de negociação, às 9h10, a moeda americana era cotada no comercial para venda a R$ 5,158, com variação de +0,09% em relação ao fechamento da véspera. Nas últimas sessões, o dólar tem oscilado entre R$ 5,14 e R$ 5,22, pressionado por dois vetores opostos: de um lado, as incertezas sobre pressões inflacionárias globais geradas pelo preço do petróleo e sobre a política econômica brasileira após as eleições presidenciais mantêm a aversão a risco e reduzem o apelo ao real.
De outro, a taxa real de juros brasileira ainda elevada em comparação a outras economias atrai capital de investidores internacionais, enquanto o saldo positivo da balança comercial sustenta a entrada de divisas estrangeiras. O fluxo cambial no ano está positivo em US$ 21,2 bilhões até 14 de agosto. O canal financeiro acumula saídas líquidas de US$ 21,2 bilhões, ao passo que o fluxo comercial registra saldo positivo de US$ 42,425 bilhões no período.
No exterior, os preços do petróleo mantiveram trajetória de recuo. Por volta das 9h, os contratos do barril do tipo Brent, referência internacional para a commodity, recuavam 2,9%, para US$ 87,95. A queda foi acelerada após relatos de que o governo dos Estados Unidos propôs suspender o bloqueio econômico contra o Irã. Segundo analistas, um eventual acordo teria como exigência a abertura do Estreito de Hormuz, rota na costa iraniana por onde passam cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo. **Ibovespa busca quinto pregão positivo** A Bolsa brasileira buscava o quinto pregão consecutivo de alta.
O Ibovespa, principal índice de ações da B3, havia acumulado quatro sessões seguidas de valorização, revertendo uma sequência de 11 dias consecutivos de perdas. Segundo analistas, a menor aversão a risco global pode ajudar a sustentar o fluxo de investidores estrangeiros, que respondem por cerca de 60% do giro de negócios na B3. O saldo estrangeiro voltou a ficar positivo no dia 21, em R$ 1,7 bilhão, após 13 pregões seguidos de retiradas, período em que esse grupo sacou mais de R$ 24 bilhões.
A partir desta terça-feira, as ações da Braskem deixaram de integrar os índices da Bolsa, incluindo o Ibovespa. A decisão foi tomada após a petroquímica anunciar pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 54 bilhões em dívidas. Na véspera, os papéis da companhia fecharam na mínima histórica. O mercado também monitora os eventuais impactos da crise da Braskem sobre a Petrobras, que detém 47% do capital da petroquímica e mantém contratos comerciais de fornecimento com ela. As ações PN da Petrobras recuaram 2,3% na segunda-feira, a R$ 42,11, após uma sequência de sete variações positivas, quando chegaram a subir 5,2%, a R$ 44,30.
Já a Vale emendou seis pregões de alta, com seus papéis acumulando valorização de 8,2% na sequência e atingindo R$ 77,13 na véspera, quando subiram 2,80%. A mineradora acompanhou a recente alta dos preços do minério de ferro no exterior, impulsionada, segundo analistas, mais pela melhora do sentimento em todo o complexo siderúrgico do que por uma forte recuperação da demanda por aço.
A Sabesp iniciou oferta de debêntures destinada exclusivamente a investidores profissionais. A operação corresponde à 39ª emissão da companhia e teve registro automático concedido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 24 de agosto de 2026. As ações da empresa subiram 0,5% na véspera, a R$ 23,86. A Lupatech obteve o aval dos credores para seu plano de recuperação extrajudicial. Entre os ativos trabalhistas, que somam R$ 42,2 milhões, a empresa conseguiu o apoio de R$ 22,9 milhões. Nos créditos quirografários, de R$ 292,4 milhões, o valor aderente chegou a R$ 155,4 milhões. Os papéis da companhia subiram 5,3% na segunda-feira, a R$ 4,15, após terem atingido R$ 5,89 no dia 14 de agosto, maior valor desde 22 de fevereiro de 2023, após grupamento de ações na proporção de 10 para um. O cenário desta terça-feira reflete, portanto, um mercado em compasso de espera, com o dólar estável, o petróleo em queda e a Bolsa tentando consolidar a recuperação recente, enquanto os desdobramentos da crise da Braskem seguem no radar dos investidores.