Quase 40% das mortes no Brasil poderiam ser evitadas, aponta relatório

Atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) • Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta que 39,2% dos óbitos entre 5 e 74 anos poderiam ter sido prevenidos em 2024
Aproximadamente quatro em cada dez mortes entre pessoas de 5 a 74 anos no Brasil poderiam ter sido evitadas com ações efetivas de saúde. A conclusão é do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026, divulgado nesta quarta-feira (12).
O documento aponta que a mortalidade por causas evitáveis reflete diretamente a capacidade do sistema de saúde de prevenir doenças, realizar diagnósticos precoces e oferecer tratamento oportuno. De acordo com o relatório, a participação dessas mortes subiu de 30,6% em 2021 para 37,4% em 2022, estabilizando-se em 39,2% em 2023 e 2024. O crescimento do índice ao longo dos anos indica um desafio persistente para o sistema de saúde do Brasil.
No recorte regional de 2024, a região Norte registrou o maior índice de óbitos que poderiam ser evitados, atingindo 44,8%. As demais regiões aparecem na seguinte ordem: Centro-Oeste (43,8%), Nordeste (40,8%), Sul (38,6%) e Sudeste (36,9%), revelando disparidades significativas entre as diferentes partes do país.
As desigualdades também ficam evidentes quando os dados são analisados por gênero e raça. Em 2024, 45,5% das mortes de homens entre 5 e 74 anos poderiam ter sido evitadas, enquanto entre as mulheres o percentual foi de 31,6%. No recorte racial, 46,1% das mortes entre pessoas negras foram consideradas evitáveis, contra 32,9% entre pessoas não negras.
O cenário mais grave foi registrado entre homens negros, grupo em que 51,7% dos óbitos poderiam ter sido evitados.
Segundo o relatório, esse resultado está relacionado a fatores como violência, doenças crônicas sem controle adequado e desigualdade no acesso aos serviços de saúde no Brasil.
Os dados do Observatório Brasileiro das Desigualdades reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à redução das iniquidades no acesso à saúde, especialmente para populações em situação de maior vulnerabilidade.