BNDES registra lucro recorrente recorde de R$ 9,2 bilhões no semestre

Fernando Frazão/Agência Brasil
BNDES registra lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no 1º semestre de 2026 e bate recordes históricos em ativos e patrimônio líquido
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, o lucro recorrente chegou a R$ 17,1 bilhões, o maior resultado da história da instituição.
O desempenho financeiro também levou o banco a atingir marcas inéditas em ativos e patrimônio. Pela primeira vez, os ativos totais ultrapassaram R$ 1 trilhão, chegando a R$ 1,058 trilhão em 30 de junho. O Patrimônio Líquido alcançou R$ 181 bilhões.
O lucro líquido nos primeiros seis meses do ano foi de R$ 14,9 bilhões, crescimento de 12% na comparação anual.
As operações de crédito e garantias também apresentaram expansão. O volume de aprovações de crédito e operações garantidas chegou a R$ 154 bilhões no semestre, aumento de 19% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, R$ 43,4 bilhões correspondem a garantias.
As aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões, alta de 52% em um ano. O crédito destinado à infraestrutura cresceu 91%, para R$ 46 bilhões, enquanto os recursos aprovados para a agropecuária aumentaram 46%, alcançando R$ 24,8 bilhões.
O apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) também atingiu recorde para um primeiro semestre. Foram R$ 108,2 bilhões em operações nos seis primeiros meses de 2026, crescimento de 22% sobre os R$ 88,8 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros chegaram a R$ 43,4 bilhões. Já as aprovações de crédito vinculadas a essas operações somaram R$ 64,8 bilhões.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 0,05%, enquanto o índice registrado pelo Sistema Financeiro Nacional foi de 4,68%. Entre as grandes empresas, a taxa do sistema financeiro ficou em 0,66%.
O resultado do primeiro semestre também foi influenciado por eventos não recorrentes. Entre eles estão R$ 1,6 bilhão em dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos de Petrobras e JBS, além de R$ 3,9 bilhões obtidos com a venda de ações. Também houve R$ 0,2 bilhão em despesas com provisões para risco de crédito, já considerados os efeitos tributários.
Na carteira de crédito expandida, que reúne financiamentos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, o saldo chegou a R$ 684 bilhões em junho. O valor representa crescimento de 3,1% em relação a dezembro de 2025 e é o maior desde o fim do primeiro semestre de 2016.
A carteira de participações societárias totalizou R$ 85,4 bilhões. Desde 2023, os investimentos acumulam rendimento de R$ 57,4 bilhões, considerando valorização e dividendos, descontadas as compras e vendas realizadas no período.
A dívida com o Tesouro Nacional encerrou o primeiro semestre em R$ 35,2 bilhões, queda de 3,1% em relação ao fim de 2025, principalmente em razão das amortizações ordinárias de principal e juros.
Para reforçar a captação de recursos, o BNDES levantou R$ 3 bilhões por meio da emissão de Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs).
As captações externas totalizaram R$ 44,4 bilhões. Entre os contratos firmados estão R$ 2,7 bilhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), R$ 1,6 bilhão com o Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW), R$ 1,3 bilhão com a Japan International Cooperation Agency (Jica), R$ 1 bilhão com a Corporação Andina de Fomento (CAF), R$ 1 bilhão com o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) e R$ 0,2 bilhão com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
O Índice de Basileia ficou em 25,4% no fim de junho, acima dos 25,2% registrados em dezembro de 2025. O indicador permaneceu mais que o dobro do limite mínimo regulatório de 10,5% estabelecido pelo Banco Central.
A variação do índice está relacionada principalmente a mudanças regulatórias e ao aumento da exposição de risco dos ativos, movimento associado à expansão das operações do banco.