Ministro André Mendonça amplia visitas de advogados a Daniel Vorcaro na prisão

Ministro do STF André Mendonça estendeu para quatro horas diárias o horário de visitas de advogados ao dono do Banco Master na Papudinha
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ampliou o horário de visitas de advogados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso há dois meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecido como Papudinha.
Com a decisão, Vorcaro passou a ter direito a receber seus defensores por até quatro horas diárias. A flexibilização foi concedida por André Mendonça a pedido de Daniel Bialski, advogado recém-contratado por Vorcaro.
O novo regime equipara as visitas ao empresário às do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que já cumpria o mesmo limite de quatro horas por dia. Antes da mudança, as visitas estavam restritas a uma hora diária desde a transferência de Vorcaro para a Papudinha.
Bialski solicitou a ampliação enquanto avalia, ao lado do criminalista Sérgio Leonardo, qual será a nova estratégia de defesa.
Em entrevista à "GloboNews" há dez dias, o advogado sinalizou a possibilidade de uma nova tentativa de negociar um acordo de delação premiada e afirmou que o dono do Master "quer falar e quer colaborar".
O criminalista tem dito a interlocutores que só definirá a nova estratégia após ter acesso à íntegra dos autos dos inquéritos contra Vorcaro.
A falta desse acesso levou Bialski a pedir à Polícia Federal (PF) que desmarcasse o depoimento do empresário, previsto para a última quinta-feira (20/8). Após a PF atender ao pedido, o advogado explicou que teve acesso apenas a parte dos inquéritos. "Apesar de ele querer falar, eu não tive acesso a tudo", ressaltou.
O interrogatório de Vorcaro, que ocorreria por videoconferência em razão de sua prisão preventiva, ainda não tem data definida.
Caso Bialski opte pela colaboração premiada como estratégia, será a terceira tentativa de Vorcaro desde que foi preso pela segunda vez, em março de 2026.
As negociações anteriores foram conduzidas pelo criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, e por Leonardo. Os termos propostos por Vorcaro, no entanto, não agradaram nem à PF nem à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em um café com jornalistas no mês passado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, justificou que não havia "interesse técnico" na delação premiada, porque, acrescentou ele, "muitas das coisas contadas já são do nosso conhecimento".
Bialski ingressou na defesa de Vorcaro neste mês. Antes dele, o empresário também negociou com os criminalistas Cezar e Vania Bitencourt, que chegaram a visitá-lo algumas vezes na Papudinha, mas as tratativas não foram concluídas.
O casal é conhecido por ter conduzido a delação premiada do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid.
Cezar chegou a afirmar à coluna "Radar", da revista "Veja", que havia assumido a defesa de Vorcaro, mas Leonardo negou a informação.
Em nota divulgada à época, o criminalista destacou que "nenhum substabelecimento ou nova procuração foi juntado aos autos de nenhum processo perante o STF nos últimos 30 dias. Qualquer informação em sentido diverso não corresponde à realidade".