Amcham Brasil aponta queda de 12,2% nas exportações do Brasil aos EUA

Relatório da Amcham Brasil revela que exportações ao mercado americano atingiram o menor nível em três anos, puxadas por produtos com sobretaxas mais elevadas.
As exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 12,2% no acumulado até julho, totalizando US$ 21 bilhões — o menor patamar em três anos. O dado consta no Monitor do Comércio Brasil - Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat referentes a julho. A retração foi liderada pelos produtos mais afetados pelas sobretaxas impostas pelo governo americano, enquanto o déficit comercial do Brasil com os EUA saltou para US$ 2,3 bilhões.
Segundo o levantamento da Amcham Brasil, o recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano em comparação ao mesmo período de 2025. A queda é ainda mais expressiva entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, que atualmente variam entre 25% e 37,5%, tendo chegado a até 50% anteriormente.
No acumulado do ano, as exportações desses itens despencaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões — uma redução de US$ 1,4 bilhão. O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou a gravidade do cenário: "Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias."
Apenas em julho, as exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado — momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas. No mês, o recuo para produtos com sobretaxa de 25% a 37,5% foi de 25,7%, enquanto os produtos alcançados pela Seção 232 apresentaram crescimento de 21,5%, impulsionado pelas exportações de aço e alumínio.
A Amcham Brasil listou os setores mais prejudicados no acumulado do ano entre os produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas: sebo de bovinos, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas. Além desses, semi-manufaturas de ferro e aço, enquadradas na Seção 232, também seguem em queda. Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Após sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos norte-americanos voltaram a crescer, ainda que de forma tímida — alta de 0,6%, alcançando US$ 4,3 bilhões. Com exportações em queda e importações praticamente estáveis, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os EUA apenas em julho. No acumulado de janeiro a julho, o déficit chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.
O contraste com o desempenho global das exportações brasileiras é revelador. Enquanto as vendas ao mercado americano recuaram 12,2%, as exportações totais do Brasil ao mundo cresceram 10,5% no mesmo período. A Amcham Brasil aponta essa inversão de tendência como um forte sinal do impacto do tarifaço sobre as vendas brasileiras. Entre os dez principais produtos exportados aos EUA no acumulado do ano, quatro apresentaram retração no mercado norte-americano ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para o restante do mundo: óleos brutos de petróleo (-25,5%), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%). Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. No campo diplomático e comercial, o Brasil avançou em duas frentes.
O governo federal iniciou o processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas adotadas pelos EUA, com a Camex (Câmara de Comércio Exterior) analisando o enquadramento das medidas americanas e o Itamaraty notificando oficialmente Washington para abertura de consultas diplomáticas. Paralelamente, o Brasil contestou formalmente as tarifas adicionais na Organização Mundial do Comércio, solicitando consultas de controvérsia ao órgão, conforme informado pela OMC na semana passada.